Frase de Valdir Junior
O amor perdido não se vai. Ele apenas muda de cômodo, E passa a habitar o lado esquerdo de tudo que já foi meu. É um fantasma gentil, mas teimoso, que encontra o seu cômodo Na memória mais clara, na luz mais fraca que o dia teceu. Eu o encontro no reflexo fugaz de um espelho d'água, Onde a tua imagem surge, trêmula, antes de quebrar-se. É o nó na garganta que aperta e que nunca se deságua, A doce e sombria certeza de nunca mais te encontrar-se. Ele não é ódio, nem raiva; é uma melancolia de seda, Que se aninha nas dobras do tempo que não pude reter. É a música que toca em silêncio quando a vida se arredonda E me lembra de tudo que tínhamos e que deixamos morrer. Eu procuro teus traços em cada estranho que passa na rua, E encontro apenas a prova do abismo que me separou. A melancolia do amor perdido é a sombra que me atua, O preço que pago por um sol que em minha vida se apagou. E assim vivo: entre o ontem que me afoga e o hoje que me ignora. Amando a lembrança mais do que qualquer novo amor que possa vir. Porque a perda, por mais que doa, me consome e me aprimora; É a única forma que me resta de, ainda, pertencer a ti.
No pensador.ai desde