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Frase de Monalisa Ogliari

Leio poemas como alimento. Não leio com os olhos, Nem leio com a liguagem. Leio com a fome De quem busca significados. E isso é sempre arriscado. Em meio a palavras herméticas, Entendo como quem conhece. E tudo flui organicamente. Se as vejo em um conjunto De produção e sensibilidade, Cuidadosamente arquitetadas. Não sei vocabulário rebuscado. Mas sei sentir cada palavra: Um peixe vivo em minhas mãos. Raramente encontro o retrato fiel Do que vivo febrilmente. E por um minuto me sinto compreendida. Eu que tantas vezes me dei por vencida. Não sei nomear o que a vida faz de mim, No momento presente, incoerente. Cansada que estou De movimentos lineares. Reprimo sentimentos viscerais, Se sou muito nesse mundo, Que observa e constrói regras. Sentada longamente não esboço ação, Mas meu peito corre mundos E cria realidades imprevessentes. Como conter impulsos De um ser que transborda Dimensões caosmáticas? Se penso em Deus, É porque Deus está em mim. Sem religião, sem plateia. Apenas uma força Que sereniza minhas visões. E me faz tratar o outro Com a tenulidade que espero. Estou isolada de todos. Sei que amo e sou amada Por amigos caros em Minhas afetivas lembranças. Mas preciso estar só, Para que minha mente Não se vá por caminhos Que desconheço e temo. Solidão ontológica É o que me resta, Se não encontro pares Que eu ouço e me ouvem. Mas nada lamento. Se tive o corpo torturado, Aumentou minha noção de justiça. Talvez eu seja dócil na aparência, Velho hábito polido na educação. O que dizer sobre O que se passa em minha mente? Nasci como sou e sou como nasci. Mas sei conversar calmamente Como se minha mente não estivesse em Ebulição, com pensamentos contínuos. Escrevo essas palavras, Que ouso chamar de poema. Se falo tanto de mim, Não é ferida narcísica. Tenho consciência da minha Peculariedade, se não sou Uma pessoa pragmática. A maturidade se aproxima, E faço um restrospecto. Erros e acertos se entrelaçam. Sinto vontade de pedir perdão, Mas palavras não curam sentimentos. E já não sei mais onde errei ou acertei. Sinto paz e me aceito com minha Mente idiossincrática. E sei sentir afeto duradouro, Mesmo no descartável do Nosso tempo veloz. Sei que estou prolixa E o poema se demora. Sem garantias. Espero que você me leia, E se sinta capaz de entender, Sem banalizar minha confissão. Mas se eu não te interesso mais, É justo que essas palavras caiam No esquecimento sem nada dizer. Minhas palavras são normoses, E posso disser que sem palavra Eu fiz um poema. Sem nenhuma força, Sem nenhum apoio. Eu sou resistência plantada No chão árido. E estou feliz, Porque a felicidade mora em mim. E sorrio sozinha, Por que minha ternura, Não conhece opressão humana. Sigo em frente, olhos abertos, Navegando no amor Que vislumbro no horizonte.

Monalisa Ogliari

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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