Pular para o conteúdo

Frase de NandaaGoncalves

Hoje eu lembrei de você enquanto me maquiava. Não por saudade anunciada, mas por um gesto pequeno, desses que moram no cotidiano e doem depois. O delineado seguia firme, parava no meio do olho, como sempre parou. E foi aí que você apareceu — na memória, não no espelho. Lembrei daquele dia em que você percebeu o detalhe que quase ninguém nota. Metade do traço, metade do olhar, inteiro na atenção. Fiquei encantada não pelo elogio, mas pela forma como você me via. Como quem enxerga o que não grita, o que não pede, o que só existe. É estranho como o tempo faz isso. Meses passam, o nome silencia, o sentimento dorme. Mas basta um traço torto, uma manhã qualquer, e o passado volta sem pedir licença. Você não voltou. Foi só a lembrança. Mas ela ficou ali, sentada no canto do meu reflexo, me olhando terminar aquilo que nunca chegou ao fim. Talvez algumas pessoas não foram feitas pra ficar. Foram feitas pra aparecer de repente, num espelho, num detalhe, numa memória que insiste em não desaparecer.

NandaaGoncalves

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de NandaaGoncalves

Chá de laranja Estou gripada de novo, lençóis frios, nariz cansado,
Continuar lendo

Chá de laranja Estou gripada de novo, lençóis frios, nariz cansado, e nessa febre que arde em silêncio me lembro do teu cuidado. Você fazia um chá de laranja com um jeito que só você tinha. Nem era só o sabor, era o calor da tua mão na cozinha. Era doce, era forte, era cura, e eu, doente, me rendia. Hoje faço igual, passo a receita, mas nunca fica como naquele dia. Falta o modo como mexia a colher, a pausa pra ver se estava bom, o carinho que você punha antes de me entregar na xícara o dom. Agora, só sobra o silêncio e a saudade em infusão. O chá não cura, só lembra o gosto da tua proteção.

Encontro em Silêncio Cruzei teu caminho, sem aviso, os olhos se tocaram, indecisos…
Continuar lendo

Encontro em Silêncio Cruzei teu caminho, sem aviso, os olhos se tocaram, indecisos… e o tempo, cúmplice, desacelerou, como quem insiste em eternizar um adeus. Teus cabelos negros, em suaves espirais, os lábios entreabertos, quase um sinal… os olhos castanhos, profundos demais, e eu… me vi neles, frágil, mortal. Por um instante, meu peito incendiou, a chama antiga, que ainda respirava, mas o passado, cruel, logo soprou… e o fogo, sem força, se apagava. O tempo então retomou seu compasso, meu coração, trêmulo, quis te chamar, mas restaram só lágrimas, em silêncio escasso, e a mentira que tentei me contar: — "Isso é passado." Mas quem eu quero enganar… se teus olhos ainda sabem me quebrar?

Retratos que sangram As horas sussurram nomes antigos, ecos que dançam na bruma da mente,
Continuar lendo

Retratos que sangram As horas sussurram nomes antigos, ecos que dançam na bruma da mente, vestígios de dias já idos, que o tempo levou… lentamente. Há risos que ainda se escondem nos cantos, e passos que o chão já não guarda, rostos sumindo em retratos cansados, num tempo que nunca mais tarda. Tocava teu nome com dedos de sol, num mundo onde o céu era perto, agora só vejo o vulto do ontem, num espelho partido e deserto. As lembranças vêm como maré, invadem, consomem, machucam, e eu, náufrago de mim mesmo, nas ondas do que já foi, me afundo e sucumbo. Se pudesse, voltava no tempo, pra dizer o que o silêncio calou, mas memórias não têm retorno… só cicatrizes que o peito guardou.

⁠Vestígios de Nós Havia sol nos teus olhos, mesmo quando o céu desabava.
Continuar lendo

⁠Vestígios de Nós Havia sol nos teus olhos, mesmo quando o céu desabava. Teu riso era abrigo, onde minha dor se calava. Andávamos entre promessas com a leveza dos que acreditam. Mãos dadas, almas nuas, no silêncio em que os corações gritam. Mas o tempo, esse ladrão discreto, roubou os minutos mais doces. E o que era eterno em nós se perdeu em caminhos tão tolos. Guardei tuas cartas no peito, com cheiro de tardes antigas. E às vezes, sem que eu queira, meus sonhos ainda te digam. Não por falta de amor, mas por excesso de destino, fomos dois versos soltos, no meio de um mesmo hino. Hoje, te vejo nas esquinas onde a memória se esconde. E amo o que fomos um dia, com a ternura de quem não responde. Porque amar também é deixar, e seguir com cicatrizes sutis. Alguns amores não ficam… mas permanecem — e nos fazem mais gentis.