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Frase de Euzébio Jr.

Eu fiz terapia por muitos anos. Paguei caro para os profissionais e farmacêuticos para me curar da depressão que me arrastou por muitos anos, mas foi estar sozinho, em outro ambiente, em outro país pensando sobre a minha vida e convivendo comigo mesmo que eu fui - senão curado- algo próximo disso. Rivotril e carbolithium ajudaram, mas a Alitalia ajudou mais e foi mais barata. Viajar sozinho tem esse poder impactante de nos revelar a nós mesmos. Nos permite, como diria Nietzsche, nos tornarmos quem somos. Estar longe do que é certo e comum a mim, lança sobre as minhas idiossincrasias a luz da verdade e não é possível manter-se imóvel diante disso. Na última viagem, a que me curou de certa forma, foi que eu entendi uma coisa: que as nossas desgraças não nos impedem de seguir a vida, de realizar nossos sonhos e de sorrir, se não deixarmos. Clichê demais, mas é verdade. Nessa de agora, tenho sido lembrado do amor. Como alguém sequelado pela dor que de repente pensa que talvez possa sim ser amado a despeito de tudo que já passou. Eu sou constantemente lembrado que dá para ser amado através de uma família que eu agora entendo que é minha apesar de termos sobrenomes e raizes absolutamente diversas. Como não os havia visto há mais de 5 anos, tinha esquecido disso. Mas me lembrei agora e que força isso dá. Acho que é isso que é o amor: força. Força para continuar por causa dos outros, força para fazer o que for necessário para retribuir o amor que se recebe. Não sei se todos pensam assim, mas eu fui recarregado nessa última semana. E como é bom.

Euzébio Jr.

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Eu tinha medo de ir para a escola quando tinha uns 8 anos. Medo é a palavra mesmo e hoje eu nomeio o sentimento que já foi chamado de frescura e preguiça. Era medo. Na época eu estudava no Ramão, lá em Guará e apanhava de alguns meninos mais velhos mas meus pais estavam passando…
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Eu tinha medo de ir para a escola quando tinha uns 8 anos. Medo é a palavra mesmo e hoje eu nomeio o sentimento que já foi chamado de frescura e preguiça. Era medo. Na época eu estudava no Ramão, lá em Guará e apanhava de alguns meninos mais velhos mas meus pais estavam passando por um divórcio difícil e eu não queria preocupar ninguém, então ia com medo mesmo, c’est la vie, eu diria hoje, e levava meu corpo fraco cotidianamente para a roleta russa de apanhar ou não. Nessa escola havia a melhor professora do mundo: Tia Helenice. Ela era uma mulher rica para os meus padrões de consumo da época, toda arrumada, com uma jaqueta de couro e o cabelo cortado baixo é uma doçura que não é típica dessa classe e tampouco daquele lugar. Por um motivo que eu desconheço, a tia Helenice foi com a minha cara, me tirou da carteira do fundo, me incentivou em todos os aspectos e eu fui - dentro de um ano- quase uma experiência de angicos, me tronando um dos melhores alunos da sala. Naquele ano aprendi a ler decentemente, comecei a prestar atenção nas aulas, aprendi até matemática. Foi transformador. E hoje, passados mais de vinte anos, o cabelinho cortado e pintado da minha professora ainda está vivo na minha memória e eu entendo que ser professor é o que ela fez por mim e que é por causa dela que eu sou professor hoje. Através de uma professora de uma escola pública de bairro pobre eu fui transformado. Nunca mais vi a minha querida professora. Não sei nem se está viva, mas para mim, ela representa muito mais do que qualquer professor com phd que conheci ao longo da minha vida.