Frase de Carlos de Castro
ABRENÚNCIO Ó ALMAS PENADAS E OUTRAS PANADAS Naquele tempo De um tempo Em que não havia tempo Para pintar, Eis que veio uma mão suja Com bico de coruja Das tintas dos tempos E dos tormentos Que dava só em pensar... Teimosa mão pintou Na tela do meu peito Uma vereda de árvores negras Onde copulavam pegas A torto e sem direito Num sentido único que ficou A ser como que metamorfose De um destino feito osmose Mesmo sem água, Só mágoa Ao natural, Nada de solvências de sal... Ainda hoje eu mostro este peito A quem queira ver a pintura Que aquela mão suja e impura Gravou para sempre sem jeito Este quadro malfeito De uma vereda de árvores negras Onde copulavam pegas A torto e sem direito. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Tão Triste Por Publicar, em 08-07-2025)
No pensador.ai desde