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Frase de Carlos de Castro

⁠Escrevia, Miguel Torga, Poeta Maior, em Coimbra, a 4 de Abril de 1981: - "Tentei explicar o mecanismo psicológico. O poeta é, de facto, um ser incómodo. Mais cedo ou mais tarde, obriga os detratores a um embaraçoso mea culpa. E como eles, no íntimo, o sabem perfeitamente, olham-no sempre de través, a adiar quanto podem essa hora de rendição. Até que ela chega irrevogavelmente pela mão da morte. E, então, é uma avalanche de adjetivos a ver se o soterram e, alçados no cômoro lutuoso, se glorificam na glória que proclamam." (Diário XIII - Miguel Torga) MINHA HOMENAGEM: QUADRA PARA TORGA Se o poeta é desconforto, Digam-no já em vida, Não falsem depois de morto, Que foi um santo de ermida. © 𝕮𝖆𝖗𝖑𝖔𝖘 𝕯𝖊 𝕮𝖆𝖘𝖙𝖗𝖔.

Carlos de Castro

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)