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Frase de J. G. de Araújo Jorge

Essa... Essa, que hoje se entrega aos meus braços escrava olhos tontos do amor de que aos poucos me farto, ontem... era a mulher ideal que eu procurava que enchia a minha insônia a rondar o meu quarto... Essa, que ao meu olhar parado e indiferente há pouco se despiu - divinamente nua -, já me ouviu murmurar em êxtase, fremente: - Sou teu! ... E já me disse, a delirar: - Sou tua ! Essa, que encheu meus sonhos, meus receios vãos, num tempo em que eram vãos meus sonhos, meus receios, já transbordou de vida a ânsia das minhas mãos com a beleza estonteante e morna dos seus seios ! Essa, que se vestiu... que saiu dos meus braços e se foi... - para vir, quem sabe? uma outra vez. - segui-a... e eu era a sombra dos seus próprios passos.. - amei-a... e eu era um louco quando a amei talvez... Hoje, seu corpo é um livro aberto aos meus sentidos já não guarda as surpresas de antes para mim... (Não importa se há livros muita vez relidos importa... é que afinal, todos eles têm fim... Essa, a quem julguei Ter tanta afeição sincera e hoje não enche mais a minha solidão, simboliza a mulher que sempre a gente espera... mas que chega, e se vai... como todas vão... (Do livro - Amo – 1939)

J. G. de Araújo Jorge

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Pensador.com

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Angústia Há uma estranha beleza na noite ! Há uma estranha beleza ! Oh, a transcendente poesia
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Angústia Há uma estranha beleza na noite ! Há uma estranha beleza ! Oh, a transcendente poesia que verso algum traduz... A via-láctea, inteiramente acesa parece a fotografia de um tufão de luz ! - Quem seria, quem seria que pregou lá no céu aquela imensa cruz? Que infinita serenidade... Que infinita serenidade misteriosa nesse infinito azul dos céus e em tudo mais: nos telhados, nas ruas, na cidade... ( Só os gatos gritam na noite silenciosa sensualíssimos ais !) Meu Deus, que noite calma... E aquela trepadeira feminina e ligeira veio abrir bem na minha janela uma flor - como uma boca rubra e bela que não terei... - E ainda sinto nos lábios um travo nauseante do amor que faz bem pouco, há apenas um instante, paguei... E o céu azul assim... E essa serenidade! Silêncio- A noite, o luar ... Tão claro o luar lá fora... Juraria que há alguém, não sei onde que chora... Oh, a angústia invencível que me prostra invade e me devorar ...

Assim... Assim foi nosso amor... um sonho que viveu de um sonho, e despertou na realidade um dia...
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Assim... Assim foi nosso amor... um sonho que viveu de um sonho, e despertou na realidade um dia... Um pouco de quimera ao léu da fantasia... Um flor que brotou e num botão morreu... Embora sendo nosso, este amor foi só meu, porque o teu, não foi mais que pura hipocrisia, - no fundo, há muito tempo, a minha alma sentia este fim que o destino afinal já lhe deu... Não podes, bem o sei - sendo mulher como és, saber quanto sofri, vendo esta flor desfeita e as pétalas no chão, pisadas por teus pés... Que importa ? Hás de sofrer mais tarde - a vida é assim... Esse mesmo sorrir que agora te deleita é o mesmo que depois há de amargar teu fim !... (Coletânea - "Meus Sonetos de Amor " 1ª Edição, 1961)

NÃO DESPERDICES A VIDA Não te esqueças que a vida é um momento que voa um efêmero instante de beleza e alento;
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NÃO DESPERDICES A VIDA Não te esqueças que a vida é um momento que voa um efêmero instante de beleza e alento; vive pois sem temor e com desprendimento o que ela te ofertar, sem maldize-la à-toa! E' uma nuvem que muda aos caprichos do vento! Se hoje a perdes... O tempo nunca te perdoa! Vida! Repara bem como a palavra soa! Não temas pronunciá-la com deslumbramento! Há alguém, não sei quem é, mas disto estou seguro, que nos há de intimar num remoto futuro a dar contas da vida que um dia ganhamos... E após tal julgamento estranho, com certeza havemos de sofrer e pagar, se em defesa não der-mos as razões porque a desperdiçamos...