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Frase de Maria Alice Guimarães

HELENA Helena é linda! Não tem olhos azuis nem cabelos encaracolados, mas tem porte de modelo. Alta, magra, elegante, encanta com simplicidade como pouca mulheres que conheço. Mas Helena é muito mais que isso. É bela porque é doce, amável, sincera além de ter um coração de ouro e um caráter irretocável. Helena sabe demais sobre as coisas da vida, principalmente as mais nebulosas. Suave, me alerta, me ensina a não atentar, muitas vezes contra mim mesma. Tudo com seu jeito bem-humorado de ser. Tranqüila e otimista sempre, sabe de utopia e solidão. Pés no chão, fantasia não é com ela. Não fala da vida alheia, olha as pessoas pelo lado melhor. Solidária a ponto de deixar a gente meio sem jeito. Helena é assim. É linda porque se chama Helena como a de Tróia, como as de Manoel Carlos e como tantas que povoam o imaginário da gente. Todas as Helenas são assim, cantadas em prosa e verso e pelos homens também. A que conheço tem sobre si as nuvens, ama o mar e o vento que ele traz. Hoje sou um pouco dela e ela um pouco minha. Aprendemos juntas uma parte importante da lição que Deus nos dá para fazermos em casa. Perto dela fiquei mais forte, mais segura e menos sozinha. Nela posso confiar, contar meus sonhos mais secretos e falar de namorados, como se tivéssemos quinze anos. Assim ficou combinado, mesmo que nunca tenhamos dito isso uma a outra. O coração tem muitos canais onde se escondem muitos segredos. Com Helena segurando minha mão encontrei a saída de meus becos disfarçados. Com ela não preciso me fingir de inteligente nem parecer tola. Posso ser eu mesma, reclamar do vento que ela adora, pedir que abaixe o volume da televisão, reclamar que ela esbarrou na saleira e que salgou a comida. Ela não vai se importar. Vai me chamar de chata e dar uma boa risada. Lúcida o tempo todo, sabe o suficiente para manter-se tranqüila e isso faz uma enorme diferença. Quando voltei para minha terra não me despedi de Helena. Nunca vou me despedir dessa amada-amiga. Trouxe Helena comigo e comigo ficará para sempre. Lembro dela todos os dias com saudade e gratidão por tudo que, mesmo estando longe, ainda faz por mim. Mas confesso meu amor incondicional por Helena e quando estou sozinha sinto uma vontade imensa de conversar com ela, até porque só ela consegue me fazer ouvir

Maria Alice Guimarães

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Vó é tão especial, que mesmo sendo modernas, joviais e cibernéticas, não se importam nem um pouco em dividir o espaço em sua cômoda, abarrotada de frascos de perfumes e de batons vermelhos, com porta-retratos ostentando aquelas carinhas, que só ela sabe, são o maior e mais descar…
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Vó é tão especial, que mesmo sendo modernas, joviais e cibernéticas, não se importam nem um pouco em dividir o espaço em sua cômoda, abarrotada de frascos de perfumes e de batons vermelhos, com porta-retratos ostentando aquelas carinhas, que só ela sabe, são o maior e mais descarado amor que uma mulher é capaz de sentir.

Para muito além do silêncio Meu amado morreu numa noite de agosto, como um passarinho abatido por um tiro certeiro. E nem foi por nada. Apenas para deixar de viver e pronto. Para que nunca fosse meu e eu nunca fosse dele ou para que fôssemos um do outro para sempre, sem que entr…
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Para muito além do silêncio Meu amado morreu numa noite de agosto, como um passarinho abatido por um tiro certeiro. E nem foi por nada. Apenas para deixar de viver e pronto. Para que nunca fosse meu e eu nunca fosse dele ou para que fôssemos um do outro para sempre, sem que entre nós nunca houvesse desencantos nem mágoas, banalidades e desgastes. Não houve tempo para mais que a ternura do amor primeiro, a mágica doçura de uma lembrança que ficou guardada, escondida para sempre naquele lugar mais secreto onde se guardam as relíquias. Virou claridade, congelou no tempo da memória que não é o mesmo que o tempo da vida. Não é passado, nem presente, nem futuro. Parou naquele agosto de todos os silêncios, porque se calou para sempre, parou ali e caminha num espaço sem referências, num vai e vem, talvez andando em círculos, não sei. E, se não fala, porque ouço essa voz que me chama e me consola com sorrisos inesperados, vestindo uma camisa de seda azul? Por que teima em não me deixar e fala que me aguarda, pede que me apoie na esperança, diz que não me trai e que é fiel à promessa que fizemos. Meu amado morreu e eu não fiquei triste. Fiquei vazia. Tristeza faz sentido e um dia passa, dá lugar à saudade, vira lembranças e até pára de doer, tem como consolar porque as alegrias sempre vêm pra socorrer e a tristeza se esconde envergonhada. O vazio não, esse precisa ser preenchido, senão não há como viver. No vazio a gente se perde, se confunde num labirinto sem fim, como se fosse sensação de fome e sede. E eu comi e bebi de fontes envenenadas, só pra não me sentir assim, vazia. Só sei que fiquei aqui e que meu amado morreu, que tive de viver sem ter sido dele, sendo dele para sempre. Que o busquei em muitos, tudo em vão. Meu único abrigo é a certeza que em algum lugar meu amado me espera , que sairá do esconderijo secreto onde guardei minha dor, o choro que ninguém viu e o fogo que não me queimou, que só fez doer, onde nada faz muito sentido, de onde sai o grito que não encontra eco nem consolo, mas me segue vida adentro e me fere como um raio de sol enviesado. Meu amado morreu sem me dizer nada, apenas me pediu pra não morrer também. Maria Alice Guimarães COLCHA DE RETALHOS