Frase de Alessandro Teodoro
Nas gôndolas da política-espetáculo só há aquilo que os apaixonados admiram: criadores de conteúdos. Não de ideias nem caminhos. Muito menos de soluções. A política, que deveria ser o espaço mais rígido do pensamento coletivo — onde conflitos reais da sociedade são encarados com responsabilidade — foi lentamente convertida num palco onde o que importa não é governar, mas performar. O político deixa de ser um mediador de interesses públicos para tornar-se um personagem que precisa alimentar diariamente a máquina da visibilidade. Nesse mercado, a coerência vale menos que o engajamento. A profundidade perde para a viralização. E o compromisso com a realidade torna-se um obstáculo para quem precisa produzir narrativas rápidas, emocionais e constantemente inflamáveis. Assim, a política vai sendo reorganizada como um grande shopping de convicções prontas: cada público escolhe a vitrine que mais agrada ao seu afeto, ao seu medo ou à sua raiva. E, como bons consumidores, muitos já não querem ser confrontados com fatos — preferem apenas ser abastecidos com conteúdos que confirmem suas paixões. O resultado é uma curiosa inversão: nunca se falou tanto de política, e talvez nunca se tenha pensado tão pouco sobre ela. Porque quando a política vira entretenimento, o cidadão vira audiência. E quando o cidadão aceita ser apenas audiência, o poder agradece — afinal, plateias não governam, apenas aplaudem ou vaiam conforme o roteiro do dia. No fim das contas, o problema não está apenas nas prateleiras dessa política-espetáculo. Está também nos consumidores que já não procuram estadistas, pensadores ou construtores de futuro. Procuram apenas o próximo conteúdo que lhes retroalimente seu viés de confirmação.
No pensador.ai desde