Frase de Ricardo Ferreira
Silêncio. Quero ouvir. Só oiço o que está aqui fora Por dentro nada. Escuto atentamente. Respiro. Respiro novamente com consciência do que estou a fazer. E volto a escutar. Sondo: varro tudo dentro de mim. Nada. Tudo sereno. Só tenho percepção do movimento do tórax: dilata, expande, e colapsa controladamente. Fecho os olhos para melhor sondar. E ponho-me novamente à escuta. Espero. Só a presença do nada aflora. Fico na presença. E escuto então: vem de dentro, das paredes interiores, a vontade de partilhar. Porque partilhar também é ser. Ser no mundo. O mundo dentro de mim. O ser que sou na presença desse mundo. Só sou eu a ser presença. A vontade de ir regressou até às suas origens. E eu escuto novamente a presença desse nada. Nenhum verbo serve. Nenhuma acção... A presença não é. Está! Estar é consciência das paredes de onde nasce a origem. Escuto novamente. O peito dilata, expande, retém. Para colapsar, de seguida, controladamente. O que saiu, escapou. Existiu!
No pensador.ai desde