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Frase de RosangelaCalza

Estou de partida, cansei desta vida, procuro, em silêncio, na penumbra dos dias a porta escondida. Levo nos olhos o sal das marés, um céu despedaçado e muitos antigos porquês. Fui ave ferida, sem ninho, sem canto, voando entre abismos, bebendo o fel do pranto. Mas há, sob as cinzas, uma brasa acesa; um sopro pequeno de pura e doce surpresa. Talvez a saída não seja partir, mas abrir as asas e aprender a voar por caminhos opacos me equilibrar entre os que realmente estão a existir. Talvez o caminho a se fazer... se refazer... comece no chão, quando a própria queda se torna impulso e mão. Se a noite me cerca com seu véu profundo, ainda há estrelas espiando o mundo. E, mesmo cansada, minha alma se atreve: há vida escondida neste instante tão breve. Não parto do mundo, parto do que me dói; deixo para trás um medo que me estrangula e me corrói. Recolho meus cacos, reaprendo a voar: sou ave ferida, mas posso pousar... e, assim que curada, recomeçar. Amanhã, talvez, com o peito aberto, descubra na estrada um recomeço perto... faça eu um voo certo.

RosangelaCalza

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