Frase de Felipe Caprini
Shin, shin, shin, Este é o som do fio de seda Passando no tear Para a tecelã criar Um novo quimono para Amaterasu. Amaterasu é deusa do Sol Senhora do povo Nihon, Japonês. Filha de Izanagi E irmã de Suzanoo Amaterasu é a grande, O fruto de sua descendência É o imperador do Japão. Shin, shin, shin, A tecelã não para. Cada quimono feito É um dia na terra do sol nascente. Se a tecelã produz um quimono azul O Japão tera céu aberto e dia quente. Se a tecelã produz um quimono branco A neve cairá do céu. Se a tecelã produz um quimono chumbo A chuva assolará o Império. São três tecelãs dia e noite no tear Para fazer o quimono do dia Para Amaterasu usar. Shin, shin, shin, Amaterasu escuta o tear Mas de repente ele para E um estrondo ecoa na gruta. A deusa corre até sua tecelã mais amada E a vê atravessada pela lança do tear. Foi Suzanoo quem fez isto Foi Suzanoo que matou um precioso cavalo E arremessou o pesado cadaver sobre o tear. Ouve-se um suspiro cheio de angústia Atingida pelos destroços A tecelã fecha os olhos e nunca mais os abre. SUZANOO! PORQUE MATASTE MINHA SERVA?! Amaterasu pergunta Mas nenhuma palavra vem. Suzanoo sabe a maldade que fez. Amaterasu sabe mesmo sem resposta Que Suzanoo tentava vencer uma velha disputa. Mas Amaterasu não leva o gesto Como apenas uma brincadeira de irmãos. Amaterasu se sente profundamente infeliz Diante da morte de uma pessoa tão querida. Na alvorada ela se despede do céu Mas isto está errado Pois ela é o sol do Japão E tem de vir no dia. Mas não vem. Amaterasu se fecha em sua gruta E de lá não sai. No fundo da gélida caverna Ela não mais ouve os Deuses a chamarem Mas eles a chamam. Sem Amaterasu o arrozal congelou. Sem Amaterasu o filhote da raposa nasceu morto. Sem Amaterasu a mulher da aldeia Não teve leite para amamentar seus filhos. Sem Amaterasu o pescador não consegue os peixes. Amaterasu é o sol E sem o sol o Japão morre. Os Deuses e Deusas eram muitos Mas todos absolutamente dependentes de Amaterasu. Eles se organizaram em um plano. O deus Omoikane que era sábio até no escuro Apontou a direção do esconderijo E assim os Deuses se reuniram na entrada da gruta Levando um espelho cada. Uzume é a Deusa da Alegria, é a amiga de Amaterasu. Uzume foi diante da gruta e Diante dos Deuses E com seu quimono verde Ela rebolou zombeteira E fez caretas E contou anedotas. Os Deuses eram muito sérios Mas Diante de Uzume não puderam sustentar carrancas. Todos cairam em estrondosas gargalhadas. Amaterasu ouviu a zoada E ficou muito incomodada. QUEM É QUE SE ATREVE A FAZER PATIFARIAS NA MINHA PORTA? Amaterasu sai indignada Mas quando se depara com Uzume torta Fazendo deboches Ela sorri e sem poder evitar, ri, Neste momento todos os Deuses viram seus espelhos Na direção de Amaterasu E ela se vê nos muitos reflexos. E ela se vê sorridente. E ela se vê bonita. Os Deuses conseguem assim apaziguar a Deusa maior E ela veste seu quimono do dia E sai da gruta rumo ao céu Onde se acende em grande farol. Onde se acende do Japão o Sol. Shin, shin, shin, Este é o som do tear das duas tecelãs Que neste exato momento Estão a tecer e costurar O quimono para Amaterasu usar No céu do Japão No dia de amanhã. 天照大神
No pensador.ai desde