Frase de Marcos Pasqualini
“O Tempo Não Faz Nada Por Ninguém Além de Passar” No final, é só isso aí que resta: um túmulo, o silêncio das pedras e homenagens póstumas lançadas ao vento. Uma vida inteira condensada em um bloco de mármore. Um nome. Duas datas. E entre elas… um traço. Apenas um traço. Tão pequeno… Tão invisível… E ainda assim, é nele que reside tudo. Esse traço é o verdadeiro retrato da existência: os sorrisos que ninguém viu, as lutas que ninguém aplaudiu, as madrugadas que ninguém entendeu, os instantes que pareceram eternos, e os amores que foram tudo, mesmo que por um tempo. É fácil olhar para esse traço e tentar medi-lo com a régua dos bens materiais. Quantas casas? Quantos carros? Quantas conquistas que brilham nos olhos dos outros? Mas há uma medida muito mais rara, muito mais fiel: a intensidade com que se viveu. Porque o tempo… ele não faz nada por ninguém além de passar. E é justamente por isso que cada segundo é um milagre. Cada escolha, um ato de autoria. Cada presente, um altar. A verdade que poucos encaram de frente é que o tempo não cura, não conserta, não perdoa. Ele só segue. Imparcial, insensível, imutável. Essa história de que “o tempo dá jeito em tudo” é uma desculpa bonita, mas enganosa. O que dá jeito em algo, se é que dá, é o que você escolhe fazer enquanto ainda tem tempo. Por isso, viver não é sobre se preparar para um futuro inalcançável. É sobre honrar o agora, porque o agora é tudo que realmente existe. O ontem já virou pó. O amanhã é apenas suposição. Aniversários? Deveriam ser contados como “mais um… menos um”. Menos um dia de sopro. Menos um passo até o fim. Porque a cada respiração, estamos mais próximos da última. Viver é um paradoxo. Tudo que fazemos para viver, fazemos no sentido da morte. Mas é isso que dá sentido à vida. Comemos, mas envelhecemos. Amamos, mas um dia perdemos. Criamos, mas tudo passará. E ainda assim… seguimos. Não porque somos tolos, mas porque somos corajosos. Porque é preciso morrer para alcançar a imortalidade. Não, isso não é ironia. É apenas mais um toque do paradoxo da vida: é no limite que tudo ganha valor. É na fragilidade que mora a eternidade. E talvez, a maior de todas as verdades seja essa: não se mede uma vida pelo que foi acumulado, mas pelo que foi vivido, sentido e deixado no coração de alguém. Então, se um dia restar apenas um túmulo com um nome e um traço, que esse traço ecoe. Que ele carregue lembranças, histórias, gestos, risos, e uma presença tão intensa que até o vento o leve com respeito. Porque o tempo… ah, o tempo não faz nada. Mas você, você pode fazer tudo. • Marcos Pasqualini •
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