Frase de Alph Matt
Geometria do Encontro Eu não contava os dias por horas, mas por versos que o acaso não leu. Havia um deserto onde hoje repousa o mapa de um tempo que ainda nem nasceu. Chegaste como quem não pede licença à casa vazia que o silêncio alugou, e a parede fria, na tua presença, aprendeu o calor que a cor não pintou. Dizem que rio se forma gota a gota, que o carvalho não brota do chão de manhã, mas o mar que me invade a garganta e a rota veio inteiro, de sal e de espuma, de ti, de manhã. E não é sobre os meses que somamos à mesa, nem sobre os calendários que a pressa riscou. É sobre a tua voz sendo a estranha certeza de que o "sempre" é um lugar, não um tempo que voou. Cada passo contigo desenha um caminho que a minha sede de ti faz de novo nascer. Antes de ti, eu morava sozinho no avesso do mundo, com medo de viver. Agora, teu riso é a fechadura de uma porta que eu nunca soube que havia. E se a vida me der essa imensa aventura, quero mais do teu lado, ir mais fundo, mais um dia. Não me perguntes o "quando", pois o relógio desaprendeu a correr quando te viu passar. Ficou preso no instante em que o teu relógio resolveu, sem saber, me ensinar a ficar. Pouco tempo no mundo, imenso no peito. Raiz que se alastra num chão recém-feito. É que a beleza de estar onde estás não se mede em segundos, se mede em ficar. E eu fico. E eu volto. E eu me perco e me encontro. E quanto mais fico, mais quero morar nesse azul que teus olhos desenham no encontro entre o que sou e o que quero ser: o teu lar.
No pensador.ai desde