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Frase de Miguel Chiyo Tomás

MONÓLOGOS DE UM MISERÁVEL Epílogo Ponderei, afinal, que a vida é um cemitério; e nós vivemos num enterro. O ser humano não busca perdão, busca afirmação. Não deseja habitar o céu; ambiciona possuí-lo. Enquanto monologava, percebi que o diabo habita a terra, e o interior dos próprios homens. Não há outra via de salvar a espécie senão extingui-la; enquanto formos incapazes de preservar a paz, a harmonia e a ordem, a nossa existência não passará de um erro de cálculo da natureza. Cada ser é o monstro de si mesmo; ainda assim, todos se apressam a julgar os erros alheios, como se isso aliviasse o fato de que somos, todos, contagiosos: a maldade humana é uma patologia infecciosa, e nós a disseminamos pelo mundo. Talvez seja egocentrismo de minha parte; talvez porque não conheça a intimidade da sociedade — o que, por si só, já seria uma desonra —; ou talvez porque já não consiga reconhecer a humanidade em nós. Sinto que a essência do ser humano reside na retórica, não na verdade; na força, não no diálogo; no caos, não na ordem. Aliás, o verdadeiro assassino silencia; os peões fazem ruído. E cada um de nós ou é o assassino por trás de tudo isto, ou é o peão: a ponte que permite a sua consumação. Ao fim, não passamos de mais uma lógica impura que a natureza não consegue corrigir. Não encontrei com quem dialogar. Então, afastado da asfixia social, isolei-me — e passei a monologar. E, no meio de todo esse tédio, algo me disse: Vocês são a falha da criação. Não há perdão. Restará apenas a memória após a extinção.

Miguel Chiyo Tomás

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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"Todos temos uma vida, e pelo facto de a possuirmos, dá-nos o direito de vivê-la livremente".