Frase de Jhonas Araújo passos
O Amor que não toquei Eu te amei no silêncio mais profundo, como quem carrega em si o eco de um milagre. Tua presença era luz e condena, era abrigo e abismo — céu e inferno em um só nome. Não ousei tocar teu corpo. Temia que o gesto rompesse o encanto, que a pele profanasse o que era divino, e que o desejo, impuro e humano, manchasse o amor que nasceu casto e sem tempo. Amei-te com as mãos atadas pela reverência, com o olhar preso ao chão, como quem ora. Havia em mim uma devoção doente, um anseio que queimava, mas que não ardia em voz. Eu sonhava contigo nas horas em que o mundo dormia, quando até o vento parecia ter piedade de mim. Falava contigo em pensamento — em preces, em delírios, em lágrimas que não caíam. Teu nome era meu sacramento. Tua ausência, minha penitência. E eu, exilado do toque, vaguei entre o desejo e o medo, entre o amor que salva e o amor que destrói. Hoje, sou o que sobrou do que senti: um corpo vazio, um altar sem fé. O tempo passou, mas tua sombra permanece, sentada ao lado do meu silêncio. E se há céu ou perdão, não sei — só sei que, no fundo, a maior dor não foi perder-te... foi nunca ter ousado te possuir.
No pensador.ai desde