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Frase de Demétrio Sena - Magé-RJ.

SOBRE O CRISTO VENCIDO NA SAPUCAÍ Demétrio Sena, Magé - RJ. Não acho que o desfile da Escola de Samba Gaviões da Fiel tenha tentado afirmar que Jesus Cristo foi ou será vencido definitivamente pelo Satanás. O contexto é uma eterna guerra entre o bem (representado pela figura de Jesus Cristo) e o mal (representado pela figura do satanás), na qual muitas batalhas são vencidas pelo mal. O mesmo desfile mostra, lá no finzinho - mas quem ficou assombrado fez xixi na calça e não conseguiu vê-lo inteiro -, que o bem finalmente vence o mal. Em suma, Jesus Cristo vence o satanás, pois é imortal, segundo a Bíblia que fala de sua ressurreição e do fato de que Jesus é O Próprio Deus Feito homem, justo para morrer e ressuscitar, como ato definitivo da vitória do bem. É também um alerta: vivemos tempos de muita intolerância, no Brasil. De muito preconceito e uma raiva imensa dos próprios cristãos contra o próximo que não os obedece ou não segue seus passos, tintim por tintim. Especialmente no contexto equivocado e lamentável desta fase na qual políticos que se autointitulam cristãos podem tudo, com o apoio incondicional da maioria do povo, que os pôs no poder. Para tanto, basta exibirem o rótulo de cristãos, mesmo se contradizendo em atos e palavras terríveis que ostentam a cada dia. Esses políticos, regidos pelo seu líder maior, o presidente da república, têm como soldados fiéis, dispostos a matar e morrer por eles, nada menos do que sessenta ou mais milhões de brasileiros. É assustador. Neste contexto, é que o mal está vencendo o bem. Pelo menos temporariamente. O amor ao próximo seja ele quem for... a graça... o livre arbítrio... as virtudes que fazem acolher o outro sem perguntar qual é sua crença, ideologia, orientação, escolha pessoal... tudo isso acabou entre nós, por determinação política instigadora do espírito de vingança, soberba, segregação, racismo e todas as demais fobias contra o próximo não ajustado às rédeas de um grupo que arroga deter as verdades da vida e da morte. Nem falo do mundo. Falo do Brasil. Este país que se fechou pra nova mentalidade necessária perante as mudanças da humanidade. Mudanças sociais. Nada a ver com o mundo espiritual, que não é regido pela sociedade política; econômica; tocável, como se prega. É orientado pela fé e as divindades possíveis, nas quais não creio, mas respeito quem crê. Por ora, o mal vence o bem, como aquele Demônio da sapucaí venceu temporariamente o Cristo (ou o Santo Antão, como alguns disseram, e vale a pena ler sobre tal santo). Espero sinceramente que os cristãos - notadamente os evangélicos - acordem a tempo de não sacrificarem mais ainda o bem, que perde muitas batalhas para o mal.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

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Pensador.com

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SHOW DA FÉ Demétrio Sena, Magé - RJ. A fé que se tem num "Deus", num santo de argila, numa vaca ou numa casca de coco desperta no ser humano a capacidade fantástica de se recompor; se redimir; alcançar graças e às vezes banir doenças. Deus, o santo, a vaca e a casca não podem nada; o mérito é mesmo da fé ou de quem a possui. No entanto, quem a possui não pode se conscientizar disso, pois a fé não vive sem esses ícones reais ou imaginários; imateriais ou concretos. Quem tem fé, tem que tê-la em alguém ou algo, pois ela só se constrói sobre uma base; uma planta; um fundamento. Ter fé não combina com racionalidade à toda prova; com profundo aculturamento e vasta filosofia. Quanto maior a ingenuidade ou a escassês de conhecimento filosófico, intelectual; quanto menor a bagagem cultural ou a sapiência, maior é a chance de uma pessoa obter o que chamamos milagre. Se não creio na menagem central da bíblia, creio nas máximas periféricas como as que tratam das bem aventuranças, no que tange os puros e simples de coração. Eles são bem aventurados, porque têm essa fé que os capacita com a força e a coragem que não vejo nos doutos; nos letrados. Muito menos nos estudiosos e proclamadores da fé. Justamente os que se dedicam por vocação e solidariedade ou por interesses escusos; exploração do próximo. Estes podem suscitar ou promover a fé dos outros, mas não a têm... Pelos menos aquela que "remove montanhas", por ser imensa; do tamanho de um grão de mostarda. Não é na cabeça que a fé habita. Ela mora no coração, e como foi dito, no coração puro. Naquele que sabe crer com todas as forças da sua ingenuidade, até mesmo no desempenho dos falsos "representantes do reino dos céus". Representantes que arrotam como suas, as graças eventualmente alcançadas pelos bem aventurados, por obra e mérito deles próprios... Da sua fé... Não do simples desempenho de quem apenas realiza shows e arrecada cachês da boa, velha e generosa fé pública. Tenho saudades de ter fé. Daquele tempo em que fui sábio, porque não era sabedor. Hoje lamento, embora veladamente, por não ter tido equilíbrio para não deixar que o saber corroesse a sabedoria. Que a cabeça embotasse o coração. Queria pelo menos poder juntar as extremidades, para não ser escravo da crendice nem do ceticismo. Não ser dominado pela ingenuidade cega dos fiéis a todo o custo nem pela intransigência da erudição que também cega. No fundo, creio que fugi de um fanatismo para cair em outro, por ser incapaz de achar o meio termo. Acho que preciso de um "Deus", um santo de argila, uma vaca ou uma casca de coco.