Frase de Fernando Scheuermann
Relicário do Tempo No âmbar do tempo, há portais escondidos, vestígios de astros, de passos perdidos. O agora, que vibra em tão tênue espessura, é sombra de outrora, é veste de altura. Caminho em espiral sob cúpulas mudas, em ruínas de horas, em casas agudas. O tempo não passa — ele gira, ele espreita, esculpe memórias na carne desfeita. Se tento prendê-lo, escorre em minha mão, mas volta em silêncio no sonho e no chão. Se falo seu nome, ele cala em mistério, oculto nos traços do mundo etéreo. Talvez seja templo, talvez seja abismo, ou um deus que se veste de ritmo e cismo. Mas sigo seu rastro com olhos fechados, ouvindo relógios nos céus enluarados. Pois sei — mesmo quando se parte e se finda, há algo no tempo que nunca rescinda. Um fio, uma trégua, um véu de infinito, que dança, que some… no velho labirinto.
No pensador.ai desde