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Frase de anandayasmin

⁠Ela não tinha coração, apenas um vácuo, como um espectro inexorável. Ígneamente abissal, ele surgiu lhe provando sua humanidade. Com desvelo, a fez colocar a mão sobre o seu peito e sentir as batidas de seu coração, aquele que habitava seu âmago de forma silente. Com um vaticínio, a fez acreditar, e sentir, que a cada batida soava um eflúvio poético, cheio de sentimentos; junto ao coração dele, se fazia uma melodia de fogo, ardente, sedenta, fatal. Era visceral a sintonia dos dois. Era indelével aquele momento, jamais algo a faria o esquecer. Jamais ela imaginaria que aquele sentimento sibilante evoluiria para um sibilo ensurdecedor. Ele a hipnotizou, sem nem mesmo perceber, a fez acreditar na perenidade, no sentimento eterno, na química permanente, na felicidade. Ao se encostarem, a luz que crescia, transcenderia qualquer sublime camada que o universo pudesse colocar. Ela não podia procurá-lo, tocá-lo. Mesmo com o sentimento em crisálida, ela não sabia traduzi-lo em palavras. Então ela o observava. Mesmo antes de qualquer despertar no seu interior, ela observava, ansiando sentir as energias que em sua volta permaneciam, já que não era capaz de desfrutar de um sentimento próprio. Ela o enxergava, o via, muito além do que era capaz de se alcançar fisicamente. Ela enxergava sua alma, sentia que era capaz de ver sua luz e sua sombra, sua energia. Bom, ela não esperava nada, só queria desfrutar da humanidade que ele despertou nela. Nenhuma utopia. Parecia maravilhas. Mas um tormento estava por vir. A humanidade, sentir, não é só felicidade, paixão, amor — era tristeza, decepção, raiva, ódio também. Seus sentimentos transbordaram à beira de seu abismo emocional. Sua impulsividade lhe privou de observá-lo. Apesar de seus erros, ele teve sua parcela de culpa. Ela jamais imaginaria que a perenidade de sua paixão e felicidade, que ele a prometeu de forma tácita, seria perecível após um repentino exílio. A epifania de que ele era muito mais do que ela imaginava. Ele era mais do que sua paixão lhe permitia enxergar. Ardiloso, encheu seu coração de névoas. O mesmo coração que antes ele deu cor, ele o dilacerou. E, como anátema, ele permeou.

anandayasmin

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Pensador.com

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⁠Todas as lágrimas que, por longos três anos, guardei, vêm à tona agora — de uma vez só. Receio que nem todos os lugares tenham um banheiro onde eu possa chorar escondida. Foram tantos meses engolindo o choro que, a qualquer momento, um gatilho vindo do fundo do meu ser pode me d…
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⁠Todas as lágrimas que, por longos três anos, guardei, vêm à tona agora — de uma vez só. Receio que nem todos os lugares tenham um banheiro onde eu possa chorar escondida. Foram tantos meses engolindo o choro que, a qualquer momento, um gatilho vindo do fundo do meu ser pode me desabar de dentro para fora. Sei que, daqui a alguns anos, vou olhar para trás e pensar que meu sofrimento foi prematuro, que ainda dava tempo. Mas eu não quero chegar até lá para viver o que acabei de narrar. Quero olhar para trás e perceber que sofrer foi necessário para crescer. Que a frustração com a realidade me moveu, de verdade. Quero, com todo o meu ser, olhar para trás e ter orgulho de mim — por ter ficado, e por ter escolhido seguir.

⁠Sonhar cansa. No auge dos dezoito anos, sonhando com a mesma coisa, já não restam esperanças de que um dia se torne realidade. Sentir-se inútil, velha demais para tentar — ainda que, no fundo, seja apenas uma distorção. Entretanto, a pressão despenca sobre você como um navio de…
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⁠Sonhar cansa. No auge dos dezoito anos, sonhando com a mesma coisa, já não restam esperanças de que um dia se torne realidade. Sentir-se inútil, velha demais para tentar — ainda que, no fundo, seja apenas uma distorção. Entretanto, a pressão despenca sobre você como um navio de toneladas, de uma vez só. Uma implosão debaixo d’água. Tudo irrita: as pessoas privilegiadamente ingênuas, moldadas por criações brandas e seguras, que subestimam seus problemas, seus sentimentos. E como dói… a cabeça, os olhos, a barriga, o coração, o apêndice, as costas, os nervos, as pernas, a respiração. Dói existir.

⁠São tantas palavras que cuspo da minha mente na esperança de aliviar meu pensamento, mas na mesma velocidade que limpo, tudo já se suja. Palavras me salvam, me contagiam, e o conjunto delas se forma num sentimento que arranquei de mim. Sim, arranquei. Porque dói.
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⁠São tantas palavras que cuspo da minha mente na esperança de aliviar meu pensamento, mas na mesma velocidade que limpo, tudo já se suja. Palavras me salvam, me contagiam, e o conjunto delas se forma num sentimento que arranquei de mim. Sim, arranquei. Porque dói. Tudo dói, e nessa distância da minha sobriedade já perdi o caminho de volta. Existe uma faísca de esperança de ser tão boa quanto já fui um dia, mas algo me diz pra olhar para frente e não para trás. Porém, o futuro é escuro. Preciso chegar até ele, acender uma luz para descobrir o que ele esconde. Mas isso não parece conveniente para mim. Temo me tornar alguém pior, ou ficar pior, e ao invés de subir, só descer — andando para frente. Mas e se eu não andar? Nunca fui de me arriscar, porque na mesma possibilidade de dar certo, pode dar errado. Eu sou forte, mas não sei se o peso que a minha mente irá me colocar caso eu saia da linha será algo que posso aguentar. Existe a possibilidade de ser um novo PR que irei bater, ou talvez o peso me esmague de uma vez, e acabe com o sofrimento de vez. Possibilidades, riscos, e se...

⁠"Pra pelo menos ter esperança de que eu possa ter um futuro bom e feliz. Mas é imprevisível, e essa minha curiosidade, ansiedade pelo futuro vai acabar me tirando ele. Eu espero um dia virar uma página em livros filosóficos, mas não saberei se isso vai ser possível se eu não fi…
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⁠"Pra pelo menos ter esperança de que eu possa ter um futuro bom e feliz. Mas é imprevisível, e essa minha curiosidade, ansiedade pelo futuro vai acabar me tirando ele. Eu espero um dia virar uma página em livros filosóficos, mas não saberei se isso vai ser possível se eu não ficar aqui para descobrir."