Pular para o conteúdo

Frase de Ricardo Ferraz

Há alguns dias atrás, eu estava sentado numa dessas lanchonetes com mesinhas de madeira pela calçada larga, tomando uma cerveja, enquanto aguardava um sanduíche ficar pronto pra eu levar pra casa, quando de repente, avistei um casal com um carrinho de bebê vindo na minha direção. De longe, a moça que segurava um paninho amarrado à uma chupeta não me era estranha, e realmente me lembrei dela com muita facilidade quando se aproximou da mesa onde eu estava. Estava um pouco diferente, mais velha, com os cabelos um pouco mais claros que antigamente, mas continuava muito bonita, e automaticamente a reconheci. Ela sorriu pra mim, e tenho certeza que para ela também veio aquela conexão com o passado. Eu me levantei, a gente se abraçou, e sim, claro, aquela velha frase começou a conversa: "Nossa, quanto tempo!". Me apresentou ao marido, que empurrava o carrinho, um cara de um sorriso simpático e tranquilo, boa praça. Me disse que estava morando em Londres há não sei quantos anos, nos falamos um pouco, me mostrou o filho Lucas de 10 meses, e eles foram embora. Eu me sentei novamente e me pus a pensar e lembrar de alguns fatos passados. Me lembrei de um amigo que há muitos anos também não ouço falar. Me lembrei do Jhonny, lá da minha adolescência nos anos oitenta ainda. Jhonny na verdade era João, mas todo mundo chamava ele de Jhonny por se parecer tanto com o Steve Perry do "Journey", e sei lá, ele usava sempre a mesma jaqueta surrada de couro, alguma coisa remetia ele ao rock, punk, acho que todo mundo achava mais underground chamá-lo assim. Jhonny foi colega meu de escola, e amigo nas horas vagas. A gente sempre se encontrava, e ele era apaixonado por Elisa, a moça do carinho de bebê. É impossível voltar nos meus tempos de adolescência e juventude, e não me lembrar de quantas serenatas fizemos para "Lis", de quantas rosas roubamos nos quintais e deixamos na janela para ela, quantos bilhetinhos ajudei Jhony a escrever e ainda desenhava meus corações tortos, quantos planos os dois me contavam sobre ter filhos, comprar aquele som 3x1, aquela viagem pra Ubatuba que nunca aconteceu. Quantas vezes tanto Jhony quanto Elisa choraram um pelo outro no meu ombro e eu tinha de dizer: vai ficar tudo bem, quando na verdade, com o tempo, mal podia acreditar que jamais ficaria bem. Sabe, fiquei pensando sobre tantas coisas, tantos sonhos, tantas loucuras que fazemos em determinado momento nas nossas vidas, e que no fim, no outro dia, muda-se tudo. A vida segue, flui, os objetivos diversificam, as pessoas mudam, nós mudamos também, algumas vezes nos perdemos delas, mas sempre nos reencontramos em outras. No fundo, tudo se ajeita, tudo se encaixa dentro daquilo que mais precisamos no momento. Não sei por onde anda Jhonny, mas sei que pelo que sempre o conheci, ele está bem. Com certeza tem uma vida tão boa quanto Elisa, e de certa forma, me fez bem pensar assim. Me levantei, peguei meu sanduíche, paguei, saí de lá, parei na esquina, fechei os olhos por um milésimo de segundo e disse pro nada: Jhonny, segue firme ai velho, a Lis tá bem! Ricardo F

Ricardo Ferraz

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Ricardo Ferraz

[...] Eu te via do telhado de casa em cada estrela que havia no céu. Eu sabia que algum lugar você existia, só não pensava como nem quando viria. Só não imaginava que dentro dos seus olhos todo aquele céu de estrelas que um dia via, ali eu também veria. Ricardo F.
Dizem que quando dormimos nosso espirito vaga por ai. Eu não sou aquele tipo de pessoa que acredita em tudo, porém, também não duvido de nada. E é engraçado, quando sonhamos, é sempre uma coisa vaga, muitas vezes sem nexo. São lugares que não existem, mas que a gente tem certeza…
Continuar lendo

Dizem que quando dormimos nosso espirito vaga por ai. Eu não sou aquele tipo de pessoa que acredita em tudo, porém, também não duvido de nada. E é engraçado, quando sonhamos, é sempre uma coisa vaga, muitas vezes sem nexo. São lugares que não existem, mas que a gente tem certeza que já esteve neles. São situações estranhas onde você vê uma pessoa, a reconhece do seu dia, mas com outro nome, você sabe que sonhou com aquilo, mas no sonho era outra coisa bem diferente. Maluco isso, né? Eu tenho uma impressão que, quando a gente sonha com alguém que gostamos muito, nosso espirito se liberta do corpo e dá um jeito de ir se encontrar com ela. Não que de fato a pessoa esteja sonhando com você também, mas é como se o seu espírito pedisse permissão para entrar dentro do espírito daquela pessoa por meros milésimos de segundos, talvez por isso, a sensação seja tão real, tão amorosa que, ao acordarmos, estejamos em completa paz, como se tudo tivesse sido de verdade. Aquela sensação de saber que sonhos vêm e vão embora, mas de alguma forma você esteve ali. Sabe, a vida é cheia de mistérios, e no fundo não precisamos entender nada, apenas vive-los como se hoje fosse nosso último dia, a nossa última chance de sermos felizes. A vida é real, o mundo é de verdade, e talvez por isso jamais podemos deixar de sonhar, de acreditar que tudo pode acontecer nessa vida, porque nunca sabemos o que poderá ser amanhã, e que sonhos, apesar de toda utopia, fazem parte de um outro plano, um plano onde só nosso sentimento mais profundo é capaz de ir. Ricardo F.