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Frase de A elegância do ouriço

"(...) meu pensamento profundo do dia: é a primeira vez que encontro alguém que procura as pessoas e que vê além. Isso pode parecer trivial, mas acho, mesmo assim, que é profundo. Nunca vemos além de nossas certezas e, mais grave ainda, renunciamos ao encontro, apenas encontramos a nós mesmos sem nos reconhecer nesses espelhos permanentes. Se nos déssemos conta, se tomássemos consciência do fato de que sempre olhamos apenas para nós mesmos no outro, que estamos sozinhos no deserto, enlouqueceríamos. Quando minha mãe oferece petisfours da casa Ladurée à sra. de Broglie, conta a si mesmaa história de sua vida e apenas mordisca seu próprio sabor; quando papai toma o café e lê o jornal, contempla-se num espelho do gênero manual de autoconvencimento ; quando Colombe fala das aulas de Marian, deblatera sobre seu próprio reflexo, e quando as pessoas passam diante do concierge, só vêem o vazio porque ali não se reconhecem. Do meu lado suplico meu destino que me conceda a chance de ver além de mim mesma e encontrar alguém."

A elegância do ouriço

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Pensador.com

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Outras frases de A elegância do ouriço

Mas tudo veio em sua hora... Tudo vem na hora certa pra quem sabe esperar...
"Por alguma obscura razão, Colombe, que não tem um pingo de discernimento, compreendeu que o que eu mais detesto na vida é barulho. Acho que fez essa descoberta por acaso. Nunca teria lhe vindo à cabeça espontaneamente que alguém possa precisar de silêncio. Que o silêncio sirva p…
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"Por alguma obscura razão, Colombe, que não tem um pingo de discernimento, compreendeu que o que eu mais detesto na vida é barulho. Acho que fez essa descoberta por acaso. Nunca teria lhe vindo à cabeça espontaneamente que alguém possa precisar de silêncio. Que o silêncio sirva para ir ao interior, que seja necessário para os que não estão interessados apenas na vida exterior, não creio que seja algo que ela consiga entender, porque seu interior é tão barulhento quanto o exterior da rua. Mas, em todo o caso, ela entendeu que eu precisava de silêncio, e, por desgraça, meu quarto fica ao lado do dela.

Esses instantes em que se revela a trama da nossa existência, pela força de um ritual que reconduziremos com mais prazer ainda por tê-lo infringido, são parênteses mágicos que deixam o coração à beira da alma, porque, fugaz mas intensamente, um pouco de eternidade veio de repente…
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Esses instantes em que se revela a trama da nossa existência, pela força de um ritual que reconduziremos com mais prazer ainda por tê-lo infringido, são parênteses mágicos que deixam o coração à beira da alma, porque, fugaz mas intensamente, um pouco de eternidade veio de repente fecundar o tempo. Lá fora o mundo ruge ou dorme, as guerras se inflamam, os homens vivem e morrem, as nações perecem, outras surgem e em breve serão tragadas, e em todo esse barulho e todo esse furor, nessas erupções e nessas ressacas - enquanto o mundo vai, se inflama se dilacera e renasce -, agita-se a vida humana. Então, bebamos uma xícara de chá.

Passei pelo menos trinta minutos de humor massacrante. E, depois, de repente pensei: mas por que é que eu queria tanto que ela a agarrasse? Por que é que dói tanto quando o movimento não é sincronizado? Não é muito difícil adivinhar: todas essas coisas que passam, que deixamos de…
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Passei pelo menos trinta minutos de humor massacrante. E, depois, de repente pensei: mas por que é que eu queria tanto que ela a agarrasse? Por que é que dói tanto quando o movimento não é sincronizado? Não é muito difícil adivinhar: todas essas coisas que passam, que deixamos de ter por um triz e que são perdidas para eternidade... Todas essas palavras que deveríamos ter dito, esses gestos que deveríamos ter feito, esses kairós fulgurantes que um dia seguiram, que não soubemos aproveitar e se afundaram para sempre no nada... O fracasso por um triz... Mas foi sobretudo outra idéia que me veio à cabeça, por causa dos "neurônios-espelhos". Uma idéia perturbadora, aliás, e talvez vagamente proustiana (o que me irrita). E se a literatura fosse uma televisão que nos mostra tudo aquilo em que fracassamos? Bye-bye movimento do mundo! Poderia ter sido a perfeição, e é o desastre. Deveria ser algo que vivêssemos de fato, mas é sempre uma fruição por procuração. E aí pergunto a vocês: por que ficar nesse mundo?