Frase de Poeta Ricardo Félix
Era um dia de primavera num dia que ficaria para a história das nossas vidas, dos nossos avós, dos nossos pais e da nossa geração um dia que só tem um nome LIBERDADE. Era um Abril de amigo Abril de trigo. Abril de trevo e trégua e vinho e húmus e amor e aventura. Abril de novos ritmos novos rumos pelas estradas, pelos céus e pelos mares. Era um Abril comigo Abril contigo e com o povo português. Ainda só ardor e sem ardil mas muito amor e alegria. Abril sem adjectivo Abril de Abril. Uma primavera de cravos e vinhos e fado. Era um Abril na praça Abril de massas ouvindo os fadistas e os copos de vinho a tocarem de forma cintilante. Era um Abril na rua Abril a rodos pelas ruas de Portugal. Abril de sol que nasce para todos e todo o nosso encanto. Abril de vinhos e sonhos em nossas taças. Era um Abril de clava Abril em acto. Em mil novecentos e setenta e quatro. Era um Abril viril Abril tão bravo e aventureiro. Abril de boca a abrir-se Abril palavra e gritando ao mundo VIVA A LIBERDADE VIVA A LIBERDADE. Esse Abril em que Abril se libertava pelos mares e pelos céus. Era um Abril de clava Abril de cravo e vinho e amor. Abril de mão na mão e sem fantasmas mas sim de anjos e deuses. Esse Abril em que Abril floriu nas armas e nas garrafais. Este dia é um canteiro de obras do amor e aventura. Com flores todo o ano a encantar Lisboa e Portugal. E veleiros lá ao largo do amor. Navegando a todo o pano e beijando o amor. E assim se lembra outro dia febril de prazer e excitação pela LIBERDADE. Que em tempos mudou a história das nossas vidas. Numa madrugada de Abril, Quando os meninos de hoje já são homens e guerreiro e heróis. Ainda não tinham nascido e já eram heróis e guerreiros. E a nossa LIBERDADE. Era um fruto prometido, Tantas vezes proibido mas vamos festejar. Que tinha o sabor secreto da LIBERDADE. Da esperança e do afeto da LIBERDADE. E dos amigos todos juntos a gritarem LIBERDADE. Dbaixo do mesmo teto. Nós temos sempre necessidade de pertencer à alguma coisa; e a liberdade plena seria a de não pertencer a coisa nenhuma mas sim de termos o prazer de desfrutar a vida. Mas como é que se pode não pertencer à língua que se aprendeu, à língua com que se comunica, e neste caso, a língua com que se escreve e grita se LIBERDADE. Se o leitor, o leitor de livros da LIBERDADE E DO AMOR E AVENTURA; aquele que gosta de ler, não se limitar à quilo que se faz agora, se ele andar pra traz e começar do principio, e poder ler os primitivos e os grandes cronistas e depois os grandes poetas românticos e aventureiros, a língua passa a ser algo mais que um mero instrumento de comunicação, transformando-se numa mina inesgotável de beleza e valor, de amor e numa só palavra LIBERDADE. VIVA A LIBERDADE. VIVA A LIBERDADE. VIVA A LIBERDADE. VIVA A LIBERDADE.
No pensador.ai desde