Frase de Anna Flávia Schmitt
Ele era uma figura misteriosa, um mulato de beleza única, com um corpo musculoso, olhos verdes andando, fala aveludada e respeitoso. Com o seu cavalo bem cuidado, ele um autêntico peão brasileiro, o nome dele era Dario, que mantinha o orgulho elevado do ofício desempenhado, e rezava com fervor inigualável o Santo Rosário em dedicação à Nossa Senhora de Aparecida. Eu ainda bem menina dava um trabalho danado junto com as crianças da vizinhança, a nossa infância era além muito do pé no barro, mas os cabelos também por nossa própria obra era alcançado. E assim pela estrada a gente fugia, ele sempre muito paciente depois de tudo o quê fazia, e se fosse preciso párava tudo, para acompanhar as Mães em busca intrépida de cada um por toda a estrada vazia. Não tem como eu me esquecer destas inúmeras vezes quando na porta de casa ele um por um trazia, ou quando ele passava sem montado com o seu Baio e me via pela estrada, e prontamente dizia: - Já para casa, menina! ... Nota da Poetisa sobre a palavra "mulato": "O termo 'mulato' utilizado para descrever Dario neste poema é uma escolha deliberada e histórica, fiel à linguagem da época e da região das minhas memórias de infância. Naquele contexto, a palavra era o descritivo de sua ascendência mista e da sua beleza singular. Longe de qualquer intenção de depreciação, a figura de Dario é celebrada aqui em toda a sua dignidade e força. O uso é uma homenagem à sua pessoa, e não uma adesão ao peso pejorativo e racista que o termo carrega historicamente."
No pensador.ai desde