Frase de Maria Vitória
Confusão do Coração Tudo começou simples, nós éramos só amigos. Até que um dia você perguntou: — Quer namorar comigo? Eu disse sim, sem dúvida nenhuma, sem pensar, sem hesitar. Foi assim que eu aprendi o que é de verdade amar. Um ano de felicidade, até que alguém apareceu. Do nada, sem esperar, e mudou tudo o que era meu. Nós nos aproximamos, e eu comecei a perceber: não era só amizade, havia algo a mais no seu ser. Veio um abraço, e eu não consegui pensar. Depois veio o medo: — Isso não pode acontecer, eu tenho alguém que amo, e é preciso entender. Você disse: foi sem querer, te vejo como amiga, é verdade. Mas no fundo eu não acreditei, e não consegui me afastar, mesmo sem entender o que estava a passar. E então aconteceu o que eu temia: um beijo, sem avisar. Eu fiquei sem entender nada, só consegui me afastar. Mas não conseguia parar de pensar, então resolvi falar, contei tudo o que sentia, sem medo de me entregar. Você disse não estar pronto, mas depois voltou a falar, falou em esperar um dia, em um dia poder ficar. Mas sumiu por uma semana, e voltou como se nada fosse, como se tudo o que aconteceu fosse apenas uma doce ilusão. E mesmo hoje você continua aqui, repara em cada detalhe, em cada coisa que eu digo. Uma vez eu disse que tinha esquecido minha garrafa, e do nada você me entregou a sua, sem dizer mais nada. Gestos tão pequenos, mas que dizem tanto... E ao mesmo tempo, parece tão distante, como se nunca tivesse sentido nada. Me trata como amiga, com toda a calma do mundo, e é como se aquele beijo, aquelas palavras, tudo tivesse sido apenas na minha cabeça. Como se nada tivesse acontecido. E ao meu lado, sem saber de nada, está quem me acolheu com todo carinho. Quem me conhece de verdade, quem segura a minha mão, quem me ama com calma, com certeza, sem dúvidas, sem medo, sem hesitação. Eu o amo tanto, de um jeito tão bonito, um amor que é paz, que é abrigo, que é lar. Eu poderia escolher ser feliz com ele, com quem sempre esteve ao meu lado, com quem nunca me deixou na dúvida. Mas é aí que mora a minha dor: eu posso escolher o que é certo, mas não consigo mandar no coração. Não consigo simplesmente esquecer quem apareceu do nada e bagunçou todo o meu ser. E agora eu estou aqui, com uma música tocando alto pra tentar abafar o que sinto. Mas não adianta. E ainda tem aquela música, aquela que você me mostrou. Ela me assombra todos os dias, como uma lembrança, que eu não consigo apagar. E eu fico presa no meio, sem escolha, sem saída, só com o som dela na cabeça, me lembrando de tudo que eu só queria esquecer. © 2026 Vitória — Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia da autora.
No pensador.ai desde