Pular para o conteúdo

Frase de Hermes Fernandes

Conto de Enfado (Perdido) Não há placas na floresta Que me apontem uma trilha Já nem sei quanto me resta Alguns metros ou uma milha No meu barco há uma fresta Estou preso numa ilha O que antes era festa Revelou-se armadilha Ora o meu ser protesta Ou se engaja na guerrilha Se o pavor se manifesta Não me escondo na escotilha Que fortuna indigesta! A lanterna está sem pilha! Se tem uma, me empresta Luz que é luz se compartilha O meu coração detesta Freio que perde a pastilha Gente séria e modesta Não se exalta, nem se humilha Toda árvore no apogeu sempre aponta para o alto Não há rastro de pneu, Nem sinais ou mesmo asfalto Paraquedas de ateu Não me servem neste salto A ferida me doeu Inútil é gritar bem alto Do meu grito ouço o eco Pois sou gente, não boneco Se acerto ou se peco Minha paz que hipoteco Extraíram meu sorriso Do molar até o siso Me deixaram duro e liso Deixaram o chão, levaram o piso Só me acho, se perdido Minha alma não se espanta Não me poupo, fui ferido Pela mão que me acalanta Já não caio neste conto Nem no canto da sereia Que diante do confronto Sem ter pernas, esperneia Pois o raio nunca cai duas vezes na areia Presa fácil, nunca mais Eu rompi com sua teia Hoje volto a sorrir, Mesmo que quase banguela Meu caminho vou seguir Pra tristeza não dou trela Restam os dentes da frente os caninos e os incisivos Só caminho com gente decente Mais que fichas em arquivos Confiança quando se quebra, De uma vez se esfacela Nem tudo se celebra É meia-noite, Cinderela!

Hermes Fernandes

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Hermes Fernandes

Sem fé, somos míopes. Sem amor, somos daltônicos. Sem os dois, somos cegos.