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Frase de Abraham Cezar

Chegaste trêmulo, fronte baixa, carregando o riso gasto dos que imploram lugar. Havia em ti um vazio tão ruidoso que parecia mendigar palavras antes mesmo de falá-las. Ofereci-te o que tinhas por hábito comprar: presença. Te dei portas, nomes, rostos, e a cidade — ainda estranha para mim — fui eu quem plantou aos teus pés. Tu, que pagavas atenção como se fosse imposto, ganhaste caminhos sem custo, ganhaste gente, ganhaste voz. E cada ganho teu custou um pouco da minha. Mas a criatura que ergui com cuidado aprendeu rápido o truque da ingratidão. Viraste o rosto, torceste o gesto, inventaste razões onde só havia dívida. Foste sombra que aprende a morder quem a carrega. Foste cálculo frio atrás de sorriso emprestado. Foste o erro que só se revela quando a noite cai sem aviso e mostra o que sobrou de nós. E o que sobrou? Um rastro áspero, uma memória que fere sem metáfora, um eco que me chama por um nome que já não reconheço. Covarde, sim porque escolheste atacar quem te deu chão. Injusto, também porque cuspiste no gesto que te fez caber no mundo. Hoje, quando penso em ti, não penso em pessoa, mas em fenômeno: um colapso pequeno, íntimo, capaz de ruir confiança com precisão cirúrgica. Ainda assim, não te odeio. Seria afeto demais. Apenas te arquivo no lugar das coisas que jamais devolvem o que tomam. E fecho este capítulo sabendo: não foste amor, nem amizade, nem queda. Foste ilusão e eu, a última testemunha do truque. Poema: Não te odeio, seria afeto demais. 27 de julho de 2009

Abraham Cezar

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Abraham Cezar

Se a intenção era atingir meu trabalho, errou a porta; se a intenção era me atingir usando inocentes como corredor, errou o prédio inteiro.
Amar de verdade não é ceder tudo. É saber o que é negociável e o que é digno. É entender que diálogo não é favor, é fundamento.
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Amar de verdade não é ceder tudo. É saber o que é negociável e o que é digno. É entender que diálogo não é favor, é fundamento. Que assumir erro não é humilhação, é maturidade. Que esperança não é sentimento, é prática. E que silêncio, quando vira hábito, não é paz. É abandono em câmera lenta.

Um intervalo onde a dor aprende a não fazer barulho. Onde o corpo aprende a suportar mais um pouco. Onde ninguém vence, ninguém perde — todos apenas continuam. Isso não é fracasso moral. É o retrato exato do que acontece quando a sensibilidade sobrevive tempo demais sem testemunh…
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Um intervalo onde a dor aprende a não fazer barulho. Onde o corpo aprende a suportar mais um pouco. Onde ninguém vence, ninguém perde — todos apenas continuam. Isso não é fracasso moral. É o retrato exato do que acontece quando a sensibilidade sobrevive tempo demais sem testemunhas.