Frase de Miriam Da Costa
A semana dita "santa" Chamam de santa uma semana onde a memória sangra. Dizem sagrado o que foi feito de cordas, de açoites, de carne rasgada e silêncio forçado. Eu olho, e não vejo santidade. Vejo mãos humanas erguendo a própria crueldade como espetáculo. Vejo a multidão (os mesmos que hoje rezam) gritando ontem pela condenação. Vejo o peso da madeira não como símbolo, mas como instrumento. frio, concreto, real. E me pergunto, em que instante a dor foi coroada de divina? Em que momento a atrocidade ganhou nome de redenção? Chamam de santa, talvez porque precisem que seja. Talvez porque encarar o abismo humano sem adorno, sem promessa, sem justificativa, seja insuportável. Mas eu não consigo. Não chamo de santo o que nasceu da violência, nem beijo o que foi instrumento de tortura e de morte. Se há algo sagrado ali, não está no ato, nem nas mãos que feriram. Talvez esteja no que sobreviveu... apesar de tudo. Ou talvez… na recusa de olhar na cara a atualidade das mesmas atrocidades (e até piores) que a humanidade é capaz. ©️ @MiriamDaCosta
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