Frase de Solano Trindade
CONVERSA – Eita negro! quem foi que disse que a gente não é gente? quem foi esse demente, se tem olhos não vê... – Que foi que fizeste mano pra tanto falar assim? – Plantei os canaviais do nordeste – E tu, mano, o que fizeste? Eu plantei algodão nos campos do sul pros homens de sangue azul que pagavam o meu trabalho com surra de cipó-pau. – Basta, mano, pra eu não chorar, E tu, Ana, Conta-me tua vida, Na senzala, no terreiro – Eu... cantei embolada, pra sinhá dormir, fiz tranças nela, pra sinhá sair, tomando cachaça, servi de amor, dancei no terreiro, pra sinhozinho, apanhei surras grandes, sem mal eu fazer. Eita! quanta coisa tu tens pra contar... não conta mais nada, pra eu não chorar – E tu, Manoel, que andaste a fazer – Eu sempre fui malandro Ó tia Maria, gostava de terreiro, como ninguém, subi para o morro, fiz sambas bonitos, conquistei as mulatas bonitas de lá... Eita negro! – Quem foi que disse que a gente não é gente? Quem foi esse demente, se tem olhos não vê.
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