Frase de Nelson Rodrigues da Costa
A Deusa (In)Justiça Ela não vê, mas espreita, no seu decote repousa o vil metal e a túnica, branca como a mentira, negra como o silêncio que pesa na balança. O tempo, nos tribunais, gasta-se em voltas lentas, como quem espera o mar secar. O réu, cheio de poder e ouro, ri-se no escuro, onde os seus passos não fazem eco. Os outros, pobres diabos, arrastam-se pelas pedras da espera, respirando poeira e esperança gasta. Aqui, ninguém paga a fatura, resta esperar pela justiça divina. Enquanto isso, os dias morrem nas esquinas, os relógios marcam horas que ninguém conta, e o pó cobre a última palavra, esquecida nos corredores frios. Nas sombras, a balança inclina-se de novo, pressionada por mãos invisíveis, e tudo se repete, enquanto o riso do réu ecoa além das paredes.
No pensador.ai desde