Frase de jeremias cardoso
Do caroço da fruta, sou o que resta, um eco do que já fui. Na vida que carrego, amei verdadeiramente — amor que morreu, silêncio que ficou. Precisei emprestar meu próprio eu, desajustado, estranho a mim mesmo, e devolvi o que não me cabia. Fizeram de mim um ser largado, rasgado, perdido no mundo alheio. Deitaram-me em leito de espinhos, gemidos presos em gritos mudos, fogo gelado que queima por dentro. Minha alma ardia, descartada, na lata do lixo onde o bicho devora, latidos de abandono. Um gato de sapato bicudo, matador silencioso no canto da casa, olha e sorri com malícia fria. Cavei minha própria cova, enterrado com a terra que tirei, assustado despertei, e voltei a dormir — perdido no labirinto de mim mesmo.
No pensador.ai desde