Frase de Andrey Thiago Freitas Reis
Espuma de Aço Passei fome — como quem mastiga a ausência com os próprios dentes. Passei frio — como se o mundo tivesse esquecido meu nome. Tive medo de dormir, como se o sono fosse um portal sem volta. Temi ser incendiado por mãos anônimas, esfaqueado por sombras sem rosto, baleado por silêncios armados. Achei que a qualquer instante me enjaulariam por crimes que só a miséria conhece. Achei que o azar me atravessaria como um carro sem freios. Achei que acordaria num hospital, com tubos dizendo o que restou de mim. Tive pensamentos que se transformaram em presságios. E presságios que bateram à porta como visitas indesejadas. Coisas que temi… e que vivi. Nunca imaginei sentir esses medos. Nunca imaginei que seria a morada deles. Mas eu os enfrentei — não com bravura, mas com a entrega de quem não vê saída. Fechei os olhos, não para fugir, mas para pular. Como quem salta de um avião sem paraquedas, mergulhei no invisível, me entregando a Deus com a fé de um desesperado. Os dias passaram como segundos — e os segundos, como preces sufocadas. Quando enfim toquei o solo, não havia pedra, nem asfalto, mas um vazio que me acolheu. Como se o próprio abismo tivesse mãos. Não foi ele que me segurou. Foi a ausência do medo. Foi o sangramento interno de um coração que desistiu de resistir e se dissolveu — espuma de aço. Espuma: porque já não pulsa. Aço: porque já não quebra. Sem emoção, mas também sem dor. Sem esperança, mas longe do pavor. Nem vivo, nem morto — apenas desperto.
No pensador.ai desde