Frase de Paulo Afonso de Barros (http:www.recantodasletras.com.brpoesias4809270)
Um dia qualquer à sombra do cajueiro.. Vivia o mesmo sonho misturado a despertares onde a tristeza, angústia e solidão se faziam companheiras, afastando-o mais e mais de um dia distante onde conhecia o seu lugar e sua gente. Onde estavam seu canto, suas coisas, seu quarto, sua cama, a cômoda onde ficavam alguns porta-retratos? Essa vaga lembrança o deixava confuso. Porque seu olhar se fixava no chão quando, vez ou outra, alguém passava? Quanto tempo mais daquela rotina, como se vivesse horas e horas, dias e dias, numa insossa repetição de nadas, sem sentido, aturdido em seu permanente estado de confusão e melancolia? Alguns instantâneos faziam-no acordar inquieto e perdido, num outro lugar, ambiente simples, de conversas, da varanda, da sombra do cajueiro onde pessoas animadas conversavam e riam tanto, quanto tempo? - O senhor não comeu nada hoje, vai ficar doente, pode ser que hoje alguém venha vê-lo... - Precisa parecer melhor, vamos fazer a barba, cortar esses cabelos, trocar esse pijama, tomar um banho, cheirar melhor, o que vão pensar... - O senhor não está me ouvindo... - Não tenho mais tempo... A água fria, por instantes, o desperta desse torpor, sente às costas a parede úmida onde se escora. - Quem é você? - Maria, já me esqueceu de novo... - Onde estou? - Na sua casa nova... - Carla? - Tá vendo, sua filha não pode vir, mas telefona sempre para saber do senhor... - Chama a Nê... - Sua esposa foi fazer uma viagem pra bem longe, vai demorar... - Tome seu remédio, mais tarde volto com seu chá.... - Que dia é hoje? - Tá mais esquecido, é sábado, dia de visita, por isso tem que ficar bonito... - Carla..., Nê..., que dia é hoje... Apenas um dia qualquer na vida de alguém esquecido que se lembra de uma vida distante e que ainda quer seu canto, sua gente, sua memória, seus amores...
Paulo Afonso de Barros (http:www.recantodasletras.com.brpoesias4809270)
No pensador.ai desde