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Frase de Monalisa Ogliari

⁠Carrego em meus ombros um peso que curva minha postura. Um cansaço na alma que há quem escute. Os dedos dos meus pés são tortos como as árvores do cerrado, carga genética, ancestral. Meu coração certamente é feito de metal, única explicação para aguentar tanta dor. Abandone os meus versos se sua linguagem delicada não encarna a dor. Não mentirei e não direi que tenho mãos delicadas que a ti se oferecem. Minhas mãos são pesadas como meus versos. E meu pulmão sofre a ação do tempo viciado. Meu corpo é largo, encorpado, como se mostrasse o tamanho da minha dor. Ninguém entenderia, eu sei. Acusariam-me de vítimas também é eu já não posso chorar. Preciso encarar a vida sem lágrimas, porque um dia sucede ao outro. Eu não fui feita para o amor. Todo o meu corpo é minha alma é feita do pó da paciência. E apesar de tudo meu cérebro segue um mantra de um dia tudo será melhor. Oh Pandora, que guardou a esperança. Sigo meu destino traçado nas linhas de minha mão e já é tarde para falsear que a vida me arde, como uma febre. Espero que um dia a brisa me leve.

Monalisa Ogliari

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Pensador.com

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Outras frases de Monalisa Ogliari

⁠Um espelho se quebra no escuro, apenas os átomos presenciaram o colapso. Simbologicamente, todo o universo é formado por átomos, que se reorganizam a cada desintegração. Palavras são facas que cortam o silêncio de maneira irremediável. Textos são mísseis direcionados ao interlo…
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⁠Um espelho se quebra no escuro, apenas os átomos presenciaram o colapso. Simbologicamente, todo o universo é formado por átomos, que se reorganizam a cada desintegração. Palavras são facas que cortam o silêncio de maneira irremediável. Textos são mísseis direcionados ao interlocutor. O som de uma memória que nunca aconteceu se assemelha a gotas pingando de uma torneira que não existe. Às vezes a alma se cansa e se aconchega em nosso colo, cujo único afago possível é o silêncio das palavras que nunca brotaram, mas escreveram um livro de memórias caladas. Um relógio quebrado paralisa o tempo como o silêncio joga xadrez com as constelações. Extacolia é um neologismo que mistura êxtase com melancolia. Ela se encontrava em um estado de extacolia e não sabia definir o que sentia. O invisível tem o peso de uma pluma deslizando suavemente dos céus à terra, sem pressa de chegar, até porque ninguém veria. No meio de uma casa abandonada havia um ninho de passarinho. Em vez de ovos, havia uma semente resistente, com sede de vida, que cresceria rompendo o telhado e se formaria como um imponente pinheiro. Todos os dias era Natal. O inconsciente humano é um profundo oceano desconhecido, como a noite escura que absurda os corações aflitos, que não podem comer estrelas. Se a linguagem fosse um corpo ela seria as mãos, esculpindo um ser humano capaz de pronunciar o silêncio das pessoas angustiadas com o grito histérico dos desesperados.

Um ano que passa. Um fremir do vento que leva. Dias, meses, primaveras. Tudo é tão vasto. O tempo passa no tempo que fica. Somos esse livro que o vento escreve. Desafio de se deixar levar. E ter na face refletida o tempo ido. Tristezas e alegrias. Nada permanece no espaço. No ent…
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Um ano que passa. Um fremir do vento que leva. Dias, meses, primaveras. Tudo é tão vasto. O tempo passa no tempo que fica. Somos esse livro que o vento escreve. Desafio de se deixar levar. E ter na face refletida o tempo ido. Tristezas e alegrias. Nada permanece no espaço. No entanto, somos história. Cada ar que respiramos escreve o nosso tempo. Cada pensamento que temos escreve essa existência. Rajada de uma tempestade colossal. Leve como a brisa. Leve como um passo silencioso na noite. Longo como um dia de sol. Tudo é a mesma essência. Inquietude ou efervescência. Passar e permanecer é a lei. Tudo recomeça. Não no calendário. Nossas almas recomeçam a cada instante. Basta um sentimento e já não somos os mesmos. As palavras tentam reter os ponteiros. Mas o relógio é como a ressaca no mar. Sutilmente leva o que tentamos deter. Vivemos, sonhamos, sentimos. Escrevemos cada página do nosso livro. Em cada imagem da retina. Tudo existe e nada passa. Nada é estático. Mas nada se esvai. Viver é aprender a ser e não ser. A arte de estar. Quando tudo passar. Hoje faz sol e faz frio. Neva e queima. Hoje somos além. Tudo é o mesmo sumo. Somos eternos em nossa fugacidade. Em um ponto qualquer da cidade. Um ano que passa. Monalisa Ogliari

A paz No colorido do sol poente Nas cores que se entrelaçam
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A paz No colorido do sol poente Nas cores que se entrelaçam No verde de cada folha A paz Sentimento inominado Da calma que abre espaço A paz que mora na alma E chega sem fazer anúncio A paz Mais que um sentimento fugaz A paz que se demora Nos instantes além da hora A paz Que mora n'alma A paz das palavras Que se escrevem sozinhas A paz que me encontra Quando dela me esqueço A paz Que hoje achou meu endereço. Monalisa Ogliari

De histórias são feitas as histórias. Fragmentos de tempos em tempos. Somos lançados em nossas trajetórias. Uma página em branco. Sem dedicatória. Sede de vida. Peremptória. Estrada de rota indefinida. Caminho que desconhece derrota. Escrituras gravadas em pergaminho. Regras pros…
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De histórias são feitas as histórias. Fragmentos de tempos em tempos. Somos lançados em nossas trajetórias. Uma página em branco. Sem dedicatória. Sede de vida. Peremptória. Estrada de rota indefinida. Caminho que desconhece derrota. Escrituras gravadas em pergaminho. Regras proscritas de uma lei sem rei. Caminho. Seguimos juntos e sozinhos. Intercessões lógicas de um conjunto. Exconjuro. Pago juros. Entro em apuros. Nem eu me aturo. Me atiro. Me jogo do precipício. Viro vício. Me desculpo. Me extravio. Vou de navio. De tanto chorar, eu rio. Desafio. Concilio. Me jogo no vento. É o tempo. Me lanço em você. Me embrenho no pensamento. Concílio do vento. Nebulosa do tempo. Me invento. Te invento. Nos fazemos. Possuo. Desnudo. Mudo grito. Desespero em negrito. Alegria escalando o Everest. Felicidade incontida. Seria perfeito se não fosse a vida. Escuridão de esperança despida. Duas cabeças esculpidas. Uma gargalha e dança no meio da avenida. A outra cumprimenta a morte. Sua face híbrida. Uma de negros e ameaçadores olhos. Outra festiva. Convidativa. Cada uma com sua forma de seduzir. Digo: Eu vou por aqui. E lanço meus olhos em seus negros olhos. É tarde. Negros são meus olhos. Digo: Eu não quero sorrir. É tarde. E já não sei mais onde é aqui, Onde é aí. Sobrevivi. Monalisa Ogliari