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Frase de Fernando Pessoa

⁠Contudo, contudo, Contudo, contudo, Também houve gládios e flâmulas de cores Na Primavera do que sonhei de mim. Também a esperança Orvalhou os campos da minha visão involuntária, Também tive quem também me sorrisse. Hoje estou como se esse tivesse sido outro. Quem fui não me lembra senão como uma história apensa. Quem serei não me interessa, como o futuro do mundo. Caí pela escada abaixo subitamente, E até o som de cair era a gargalhada da queda. Cada degrau era a testemunha importuna e dura Do ridículo que fiz de mim. Pobre do que perdeu o lugar oferecido por não ter casaco limpo com que aparecesse, Mas pobre também do que, sendo rico e nobre, Perdeu o lugar do amor por não ter casaco bom dentro do desejo. Sou imparcial como a neve. Nunca preferi o pobre ao rico, Como, em mim, nunca preferi nada a nada. Vi sempre o mundo independentemente de mim. Por trás disso estavam as minhas sensações vivíssimas, Mas isso era outro mundo. Contudo a minha mágoa nunca me fez ver negro o que era cor de laranja. Acima de tudo o mundo externo! Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim.

Fernando Pessoa

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com | Fonte: CAMPOS, Álvaro de. Poesias de Álvaro de Campos. Lisboa: Ática, 1944. | Nota de autoria: A autoria desta frase foi verificada pelo Pensador.com.

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"Eu ja disse, mas vou repetir: Não se represa um rio, Não se engana a natureza,
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"Eu ja disse, mas vou repetir: Não se represa um rio, Não se engana a natureza, Faça a represa o que quiser, Pois o rio cedo ou tarde vai arranjar um jeito de rasgar a terra, Abrir um caminho, E voltar a correr em seu leito de origem"