Frase de Valdir Enéas Mororó Junior
Vem, meu anjo. Eu chamo no silêncio que me veste, Não com a voz, mas com a dor que me consome. Sou um naufrágio à espera da maré celeste, E em cada lágrima, sussurro o teu nome. O amor que arde em mim não é brasa, é ruína; Um fogo que devora, mas não aquece. Se és a salvação, por que a sorte é tão mesquinha E me oferece o céu apenas quando anoitece? Eu te construí no altar da minha insônia, Um relicário de promessas e prantos, E agora, sem teu toque, sou só a autonomia De um coração quebrado em mil recantos. Vem, meu anjo, venha me salvar da queda Que me separa do calor do teu abraço. Sou o drama vivo, a tela despedida, Que implora pelo brilho do teu traço. Chega de manso e rasga esta mortalha de saudade. Pois sem o teu olhar, sou apenas sombra fria; A melancolia veste o manto da verdade: Viver é te esperar em eterna agonia.
No pensador.ai desde