Frase de Wikney Edson
"Como eu queria, o descampado e o pôr do sol ao fundo. Um beijo, um abraço e, em meus braços, o meu mundo. Como eu queria, o fim de tarde, enfrentar a noite sem preocupações, as velas, o jantar e, sobre mim, sua pele, o veludo. Eu queria tanto, mas meu querer é tão pouco e, para tê-la, eu daria tudo. O negro dos seus olhos, o castanho do cabelo, o rosa da boca, o olhar taciturno. A madrugada me invade, lembro de ti, meu peito acelera, eu sei que deveria, mas não te repugno. Imagino nós dois, tolice minha, velejo nas lembranças e, uma vez e outra mais, me afundo. Você é a única mulher que amei, a única mulher que amo e, mais uma vez, me puno. Me puno, por não esquecer o que deveria ter sido esquecido, não matar o que jamais deveria ter nascido, ter temido, o do nosso amor, o luto. Me pego reflexivo: não é amor, nunca foi, não pode ser, é algo absurdo. Talvez seja uma doença, uma insanidade, uma psicose, um surto. Ao vê-la, eu deveria ter sido cego; ao ouvi-la, sido surdo. Olho para a árvore do nosso sentimento, não a reconheço, seca, esquálida, morta, com galhos tortuosos e, nem mesmo, quando fora vívida, dera algum fruto. Talvez, o nosso fim, tenha sido culpa minha, confesso, que, por vezes, sou deveras obtuso. Nunca almejei riquezas, sou um homem simples, o pouco pra mim é luxo. Tudo que eu queria, era somente aquele descampado, você em meus braços e o pôr do sol ao fundo..."
No pensador.ai desde