Frase de Jorgeane borges
Ouvi uma frase que dizia: “A dor, se bem usada, vira direção.” Mas que direção? Tem dor que não aponta pra lugar nenhum. É só queda. É só poço. Um buraco escuro onde tudo ecoa e nada responde. Você cai. Debate. Luta. Resiste. Aflige. E quanto mais se move, mais se afunda. Como se a dor ganhasse força da sua tentativa de sair. Até que o corpo cansa. E a alma… desiste um pouco. Você não sobe. Não desce. Fica. Boia. Mas não respira alívio. Porque a dor ainda está lá. Não do lado de fora, mas dentro. Espalhada. Silenciosa. Em cada célula que vibra frágil, como se estivesse cansada de sentir. Há dores e há a Dor. Aquela que não se nomeia. Que atravessa os dias sem pedir licença. E se instala. E se mistura ao que você é. Nesse caminho sem fim, nesse beco sem saída, cadê a tal direção? Se você se perde… Encontra-se perdido. E não há rota de retorno. Você olha pra frente, mas o fim parece distante demais. E ainda assim, você o deseja. Não o fim da vida, mas o fim da dor. O fim desse ciclo em espiral. Daria tudo pra desviar. Só um pouquinho. Dar uma pausa na dor, sentar à beira da alegria por uns instantes. Mas não dá. Porque a dor não espera. Ela é presente. Constante. Persistente. Mas, no fundo… Bem no fundo, você ainda sonha: E se, no meio disso tudo, a felicidade também estivesse vindo ao seu encontro? E se ela também estivesse tentando te alcançar, com a mesma intensidade com que você tenta sobreviver? E se, numa curva do caminho, ela estendesse a mão, te olhasse nos olhos, e dissesse baixinho: “É por aqui. Eu te guio.” Talvez a dor seja o começo. Talvez a direção não esteja fora, mas no que ela revela. Talvez, ao se deixar sentir, você esteja, sem perceber, seguindo… Em direção a si.
No pensador.ai desde