Frase de Rosa Angela Falqueto Gióri
Meu pé de romã Lindo, com folhagens exuberantes As flores desabrochando em cachos Os frutos sendo formados um a um E os pássaros de galho em galho De flor em flor Á tarde e pela manhã A cantar, a pular, a brincar No meu encantado pé de romã. Romanzeiro que mais parece Uma árvore de natal Com seus frutos multicores Às vezes pardos, outras vezes amarelados E também verdes e avermelhados. Quando pequenos; bem fechados Quando maduros; explodindo em frestas Mostram suas sementes vermelhas e inchadas Que soltam o néctar suave e adocicado A alimentar os passarinhos E fazer bem aos vizinhos. Oh! Meu pé de romã Planta nobre e singela Da natureza a mais bela Uma árvore colorida Que faz sentir bem às gargantas Faz soar a mais fina voz. Não saia do meio de nós! O vento que balança seus galhos Selecionando suas pequenas folhas As vivas e frescas permanecem E as amareladas já se entregam Pelo chão, pelas calçadas e pelos corredores Espalhadas, prontas a serem destruídas, Catadas, sopradas e varridas. Meu pé de romã sensível e amado Não grita, não demonstra sentir dor Não chora nem denuncia Que há pessoas que guardam rancor Que não têm sensibilidade nem amor De sentir o quão maravilhoso tu és! Meu romanzeiro tem um inimigo covarde, sem coração Ou de coração duro, impuro Que tem os olhos voltados para a escuridão Que só enxerga a poluição Não tem olhos sensíveis à natureza E não suporta o seu misterioso ciclo De ver florescer e brotar Dar frutos, desabrochar. E pelo chão suas folhas se esparramar. O inimigo é insensível A ele tudo parece ser em vão Não percebe a presença amiga do romanzeiro Então num golpe sujo e certeiro Ordena a um infeliz inconsciente Que ponha abaixo os galhos carregados de frutos Galhos que acolhem passarinhos Que dão sombra ao pequeno Bili verdinho. Meu saudoso e querido romanzeiro É indesejado e penalizado Pelo chão é desabado, estirado E com ele toda a alegria De seus admiradores amigos! A primavera não será mais a mesma O Natal não terá o mesmo sabor Onde os pássaros marcarão seus encontros Nesta cidade de pouca cor, por que não incolor? Resta-me olhar o espaço vazio Um muro inerte e sombrio E ficar a espera da brotação Que lentamente surgirá Como a lua a nascer por detrás dos montes. Oh! Que saudades que estou Do meu esplêndido romanzeiro Que dava sombra e alegria A minha família e aos passarinhos. Oh! Que melancolia! Hoje o dia não é mais o mesmo! (Rosa Ângela)
Rosa Angela Falqueto Gióri
No pensador.ai desde