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Frase de Carlos de Castro

TRISTE QUIETUDE ⁠As árvores cansadas da dor Deixavam cair seus braços tão tristes E o sol castigava as pedras do chão Como ferro quente a marcar o gado, Na tarde já morta de sede. Só uns cabelos de oiro Esvoaçavam loucos na brisa infernal... Eram os teus procurando os meus, Na triste quietude da tarde defunta. Fugiram os pássaros e tudo o que é vida Da vida que tem sangue nas veias. Dolorosamente, em prantos de cinzas As árvores tornaram-se pó E os ramos partiram-se numa chuva De mil pedaços queimados. O sol escondeu-se amedrontado; A tarde e a brisa quente Feneceram de saudade. Só ficaram os teus cabelos de oiro Sempre à procura dos meus, Revoltos na triste quietude... Mas tudo tão inútil. (Carlos de Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 27-08-2022)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)