Frase de eu
No ínterim da vida, um mal estar, uma despedida De mim. De quê? Acho que eu dormi nos intervalos da chegada, da partida. E a cada despedida eu me pergunto se é o fim Ontem, morreu um bicho dentro de mim, E hoje as suas tripas me degolam Um bicho esguio e luminoso... Sei lá... Só sei que estava aqui porque agora não está, E se nunca esteve, tem um espaço aqui pra ele... Vazio, vazio No ínterim da vida, um não estar, uma despedida... Assim foi que eu fiquei desfalecida no sofá do quintal velho Enquanto uma semente que virou broto que virou árvore e virou árvore De repente, virava árvore que virava broto e virava semente Semente que se enroscou e bloqueou minha garganta Semente que dói feito pedra. O que eu sei é que até ontem havia um caixão por aqui Um caixão que ninguém abriu O cadáver... Não sei bem... Mas acho que era morte/por segundo Talvez por cárcere privado, talvez por conveniência. O que eu sinto, vejo e ouço é que até hoje fede e bate na madeira inutilmente. Aconteceu... No ontem de algum dia Em algum olhar distante, vazio e doloroso. Eu não sei... Mas eu me lembro, Como uma sensação no escuro.
No pensador.ai desde