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Frase de Jean Luca

Sacro Ofício Se já não podes falar nada Menina da voz mais suave, Deixe que exalo poesias Na minha já bem mais grave E se não fores mais capaz De me ouvir recitar o refrão, Deixe que canto por gestos Com dedos de pura canção. Se dedos não mais me restarem Pra te carregar pela mão Menina branca de neve Me leve no coração. Mas se por descaso não possa No peito me carregar Te peço que nunca te esqueças Me leve no seu lembrar. Entretanto se for sacrifício, Residir em teu pensamento Deserdo este fardo e ofício Não nego, haverá sofrimento Desmonto em pedra e silício E imploro com ar de lamento: Menina branca de neve, Me leve no esquecimento.

Jean Luca

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Pensador.com

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Outras frases de Jean Luca

Insimplesficar No cerne de minha intensidade, abracei tua causa com força igual a imensa dor que sentira quando não me fiz capaz de te sustentar. Cego, surdo, torto, elevei no mais alto pilar tua mazela e de tanto pesada, agarrei-me com unhas e dentes ao volúvel e catatônico ped…
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Insimplesficar No cerne de minha intensidade, abracei tua causa com força igual a imensa dor que sentira quando não me fiz capaz de te sustentar. Cego, surdo, torto, elevei no mais alto pilar tua mazela e de tanto pesada, agarrei-me com unhas e dentes ao volúvel e catatônico pedestal. De tudo, me restava apenas ter notado que o ser que repousava ao meu lado reivindicava de meus ruidosos afagos mais que tua causa os necessitava... Como onda manante, tua prazia, circundante e magnética me arrebatara de imediato. Se nas horas de luto foste forte para afagar-me em teu colo, que de tanto sustentar-se em si mesmo, se fez inquebrável, nas de júbilo antagonizava-se às costas do mundo, ao desdém daqueles dogmas displicentes. Fio a fio, enovelava-se em nosso tear a mais sublime trama. Imóveis, adjacentes, pairamos em nosso próprio enredo, suspensos um no outro. Linha por linha, anexávamos a nossa infinda teia mais e mais carretéis. Cada segredo de seda, cada sonho de algodão, cada desejo de cetim, abrilhantava nosso tecido. Mas de ser resiliente, também se bastava da sensibilidade. Assim sendo, de contraponto a gumes e unhas agudas, adotamos luvas do mais puro algodão. Mas se por tão profundo e pulsátil coração, te arrebatei, por tão exasperas e pontiagudas mãos te esfarrapei a trama. Inerte, despencávamos agora ao chão em lascas e debulhas, aturdidos pelo impacto. Desnorteado, em frangalhos, de olhos furados, passei a exaurir oxigênio a tua procura, sem saber que te encontrava em tão pior estado. Desfigurada era agora tua causa e intangível era agora tua alma, e de ser impossível explicitar tamanha tua dor, caminhaste a passos de formiga na direção contrária. Lamentos ao vento, era a gota D’agua. Por segurança, em saudosas lágrimas e afastando-se, deixou o tolo debulhado a esganiçar sozinho. E hoje, na residência de uma mente inconstante, no brilho eterno de um passado ausente repousa a soturna lembrança. A reminiscência da nossa trama, nossa eterna e quente trama, que de ser razão de meu calor em épocas primaveris, tornou-se lamúria de minha incapacidade em invernos agora sempre presentes.

A Culpa do Corpo Tu, corpo, não mais te aguenta Se te exprime o limiar
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A Culpa do Corpo Tu, corpo, não mais te aguenta Se te exprime o limiar Se desaba sobre o andar Se soma não mais se enfrenta O osso, o aço, a mania Se entope tua narina Debate, implora aspirina Calada, se faz afonia Fibras, câimbras, ruínas Tuas formas de expressão Não mais te grita o refrão Do verso de outras esquinas No fim, o corpo de outrora Que expulsa, escuta, doutrina Que culpa, acumula, se ensina Agora, nao vê, não se implora Te sente, nunca te esquece Tu, corpo só de passagem De tanto fazer-se miragem Enchergas que tu te merece Vê se comporta tua sina! Tu, corpo, te afoga em malicia Te tenta não ser mais polícia Que atenta tua causa divina Tu, corpo, não há quem te ensine Não tenhas outras triagens Pra ascender-se a outras imagens Quando fraca te faz sublime. Pois tens o que mais necessita: Tuas torres de vigia Teu peito, a sombra sombria Tu, corpo, não mais te limita.

Querer-te(r) Queria era ter tentado, Tentar o que nunca tentei;
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Querer-te(r) Queria era ter tentado, Tentar o que nunca tentei; Das coisas, deixei de lado O que nunca experimentei. Queria gritar bem mais alto: Berrar, estourar o ouvido; Pois quem fala meio errado, Sempre grita distorcido. Perigo foi ter caminhado, Tentando achar um porém; No escuro, vagava insensato Até, que enfim, te encontrei; Passei a querer, aliás, Querer que me queiras também; Querendo, te quis demais, Te tendo, não vi mais ninguém. Mas como explicar o querer, Se "querer" nunca diz "não"? Ele é só mais um dicionário, Esperando uma tradução! É simples querer te querer; Juro, é quase uma romaria: É só querer te ter, Em vez de falar "te queria"

Sereieu Sinônimos de mim mesmo São aqueles que fui no passado
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Sereieu Sinônimos de mim mesmo São aqueles que fui no passado Pra mim, deixo o legado De nunca ser mais ninguém; Aquele que fora em outrora, Alguém bem mais que iludido Um tolo, pobre perdido Vagando sempre além; No som de outros silêncios Na luz de outras idades No espaço, ficou a saudade Do tempo que nunca esperei; Mas falta não fez a falácia De crer em outra verdade Mentir por pura vontade Praquele que nunca fui eu; Porém, de ser mais que demais Me basta ser tão presente Que sente sempre ausente O leito que me recolheu; Aquele que foi, não importa Não vive quem já esqueceu Que habita quem nunca morreu Meu peito aberto a vencer;