Frase de Monteiro Lobato
A cumbuca de ouro Eram dois vizinhos, um rico e outro pobre, que viviam discutindo. O rico gostava de pregar peças no pobre. Um dia, o pobre foi à casa do rico propor um negócio. Queria que ele lhe arrendasse um pedaço de terra que servisse para a plantação de uma roça de milho. O rico imediatamente pensou num pedaço de terra que não valia coisa nenhuma, por onde nem formigas passavam. O negócio foi fechado. O pobre voltou para sua casinha e foi com sua mulher ver a tal terra. Lá chegados, descobriram uma cumbuca (espécie de vaso). — Chi, mulher, está cumbuca está cheia de moedas, venha ver! — E de ouro! — disse a mulher. — Estamos feitos! — Não — disse o marido, que era homem de muita honestidade. — A cumbuca não está na minha terra e,portanto, não me pertence. Meu dever é contar ao dono da propriedade. — Bem — disse o dono da propriedade — nesse caso desmancho o negócio feito. Não posso arrendar terras que dão cumbucas de ouro. O pobre voltou para sua casinha, e o rico foi correndo tomar posse da grande riqueza. Mas, quando chegou lá, só viu uma coisa: uma cumbuca cheia de vespas terríveis. — Ahn! — exclamou. — Aquele malandro quis trapacear comigo, mas vou pregar-lhe uma boa peça. Botou a cumbuca de vespas num saco e encaminhou-se para a casinha do pobre. — Ó compadre, feche a porta e deixe só meia janela aberta. Tenho um lindo presente para você. O pobre fechou a porta, deixando só meia janela aberta. O rico, então, jogou lá dentro a cumbuca de vespas. — Aí tem compadre, a cumbuca de moedas que você achou em minhas terras. Aproveite esse grande tesouro — e ficou rindo. Mas assim que a cumbuca caiu no chão, as vespas se transformaram em moedas de ouro, que rolaram. Lá de fora o rico ouviu o barulhinho e desconfiou. E disse: — Compadre, abra a porta, quero ver uma coisa. Mas o pobre respondeu: — Não caia nessa. Estou aqui que nem sei o que fazer com tantas vespas em cima. Não quero que elas ferrem o meu bom vizinho. Fuja, compadre! E foi assim que o pobre ficou rico e o rico ficou ridículo.
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Fonte e informações de autoria
Pensador.com | Fonte: Histórias de Tia Nastácia. São Paulo: Brasiliense, 1995. | Nota de autoria: A autoria desta frase foi verificada pelo Pensador.com.
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