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Frase de Adriano Soares da Costa

Deixa eu olhar os teus olhos. Sem pressa, que possa me encontrar neles. Deixa que possam eles me tomar, como fossem um ébrio a um último gole ainda pendente no copo. Se for possível, deixa que meus olhos se iluminem nos teus, brasas vivas que consomem a minha alma com a intensidade das tuas chamas. Deixa, assim sem relutância, que esse encontro seja íntimo, como são íntimas as declarações de amorsussurradas ao ouvido, com ditos sem qualquer acanhamento ou vergonha. Se fores amiga, demasiadamente amiga, deixa que a minha boca repouse na tua, em um encontro sensível, já pronunciado pelo abraço antecipado do olhar. E, se amiga fores, de fato, que não mais seja, porque não a quero assim, mas mulher, que é o que tu és, desde sempre, desde que meus olhos viram as tuas formas, a tua boca alargada pelo sorriso, a tua blusa denunciando teus seios, as tuas ancas sem excessos ou perdas, as tuas formas femininas, enfim... Mas não silencia... Tua voz doce, às vezes agitada, me invade. Deixa que as palavras não calem. Pouco se me dá o que dizem elas; quero é ouvir o timbre, a suavidade ou - amiúde - a pressa ansiosa, o enlace da tua voz. E só. E nada mais. Ah, tu pensarás, mas o que quer ele de mim? Já não me conhece tanto? O que há de novo para tantas palavras de amor? Eu, então, acho graça nessa hora. Tu não sabes o que quero? Quero-te! Quero-te inteira, desde o cheiro que teu corpo exala até os sons que meus ouvidos não cansariam de ouvir em teus momentos de entrega, quando - aí, sim - nem palavras ao certo há, senão dizeres cujo sentido é o sem-sentido do momento profundo. Deixa eu olhar os teus olhos novamente. Deixa que eu queira um dia encontrar neles a satisfação consumada, a paz do pós-guerra, o sonho realizado à espera do que virá. E nesse olhar, deixa que minha boca te diga: amo-te! E amando, assim, que haja um dia o repouso da alma e do corpo, que possa vir o sossego saciado e que o coração bata forte, como se batesse por duas vidas. 05.06.2018

Adriano Soares da Costa

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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ERA PARA SER... Era para ser como o encontro do rio com o mar. A convulsão do encontro antes da calmaria profunda, que é a vocação dos amantes. Era para ser como um sorriso aberto, largo, pleno, do que se deixou encantar pela entrada dos olhos, pelo que se viu esperado e achado…
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ERA PARA SER... Era para ser como o encontro do rio com o mar. A convulsão do encontro antes da calmaria profunda, que é a vocação dos amantes. Era para ser como um sorriso aberto, largo, pleno, do que se deixou encantar pela entrada dos olhos, pelo que se viu esperado e achado entre as esquinas da vida. Era para ser como a estrela primeira a brilhar, quando a tarde começa a dormir e a noite lhe toma o lugar e ilumina o céu com o descortinar das estrelas. Era para ser como um sonho bom, que deleita o sono profundo e faz com que o acordar seja pesaroso e triste. Era para ser como a alegria de um momento que se eterniza em nós, para além do tempo e das vicissitudes da vida. Era para ser... E ao não ser, tanto se perdeu, tanto ficou por ser vivido e feito. E restou o sorriso que não veio, o olhar que não brilhou, a estrela que ficou submissa às nuvens, a alegria que não se viveu. E a vida seguiu assim, como uma nau sem velas, levada pelo fluxo das marés, sem ter sonhos para sonhar e terras novas a descobrir. E veio o tempo... E ao olhar para trás, tudo era apenas a ausência do que não foi. E o viver - esse dom maravilhoso - ficou como um projeto não realizado, um passar de dias sem sentido e sem fé. E tudo era nada, e tudo era desilusão, e tudo era a certeza dos erros das dúvidas e dos medos.