Frase de Joel Ribeiro do Prado
O REI DOS INVENTORES Dos inventores o rei, Deus, Pai onipotente, Não tem, de acordo co'a lei, Vigendo qualquer patente. Ao projetar o Adão, Que era total novidade, Patenteou a invenção E garantiu prioridade. Eva também foi, então, Feita por necessidade, Sendo, após o Adão, Modelo de utilidade (um aperfeiçoamento) Mas não supunha o bom Deus Que, sem direitos passados, Aqueles inventos seus Fossem por outros copiados. Tão logo soube do fato, O Mestre pôs-se em ação E, agindo do modo exato, Mandou notificação. Contrafatores, possessos, Replicaram, malcriados: “De fabrico os processos Foram por nós inovados! Conseguiu-se reunir O útil ao que deleita E já não é pra dormir Que cá na Terra se deita... Produz-se diuturnamente, Há empenho e alegria! Com barro, presentemente, Bebê algum se faria... Merecemos o respeito De quantos deuses houver, Pois o mundo não foi feito Pra um homem e uma mulher.” Mas, com tal falta de tato, A coisa se complicou E Deus, que é forte de fato, À morte nos condenou. Tudo o que houve em seguida Reflete em nós inda agora: Os outros nos põem na vida, Mas Ele nos leva embora... Isto outra coisa não é Senão busca e apreensão, Por não se ter posto fé Na tal notificação. Mas, se vale uma patente Por período limitado, As de Deus, seguramente, Já têm o prazo expirado No tempo de duração, A lei é bem definida: Não cabe prorrogação Ao monopólio da vida. Mas, franqueada a produção, Há um problema pela frente: Sem a busca e apreensão, Onde se irá pôr mais gente? É melhor, pois, por agora, Buscar outra ocupação: Fazer à noite mais hora Diante da televisão... AUTORIA REGISTRADA
No pensador.ai desde