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Frase de Federico García Lorca

⁠Granada: humilde elegia Tua elegia, Granada, a dizem as estrelas Que furam desde o céu, teu negro coração. A diz o horizonte perdido de tua vega, A repete solene a hera que se entrega À muda carícia da velha torre. Tua elegia, Granada, é silêncio enferrujado, Um silêncio já morto de sonhar. Ao se quebrar o encanto, tuas veias sangraram O aroma imortal que os rios levaram Em borbulhas de pranto ao mar sonoro. O silêncio da água é como um pó velho Que cobre tuas ameias, teus bosques, teus jardins, Água morta que é sangue de tuas torres feridas, Água que é toda a alma de mil névoas fundidas, Que transforma as pedras em lírios e jasmins. Hoje, Granada, te elevas já morta para sempre Em túmulo de neve e mortalha de sol Esqueleto gigante de sultana gloriosa Devorado por florestas de louros e rosas Diante de quem vela e chora o poeta espanhol. Hoje, Granada, te elevas guardada por ciprestes (Chamas petrificadas de tua velha paixão) Partiu já de teu seio o laranjal de ouro, A palmeira extasiada do tesouro África, Sobra somente a neve da água e sua canção. Tuas torres são já sombras. Cinzas teus granitos Pois te destrói o tempo. A civilização Põe sobre teu ventre sagrado sua cabeça E esse ventre que esteve grávido de ferocidade, Hoje ainda que morto, se opõe à profanação, Tu, que antigamente tiveste as avalanches de rosas, Tropas de guerreiros com bandeiras ao vento, Minaretes de mármore com turbantes de seda, Colmeias musicais entre as avenidas E lagoas como esfinges da água ao céu Tu, que antigamente tiveste mananciais de aroma Onde beberam reais caravanas de gente Que te ofertavam o âmbar em troca da prata Em cujas margens tingidas de escarlate As viram com assombro os olhos do Oriente. Tu, cidade do devaneio e da lua cheia, Que alojaste paixões gigantescas de amor, Hoje já morta, repousas sobre rubras colinas Tendo entre as velhas heras de tuas ruínas O sotaque dolorido do doce rouxinol . O que se foi de seus muros para sempre, Granada? Foi o perfume potente de tua raça encantada Que deixando correntes de névoa te deixou: Ou a tua tristeza é tristeza nativa E desde que nasceste ainda segues pensativa Enredando tuas torres com o tempo que passou? Hoje, cidade melancólica do cipreste e da água, Em tuas heras antigas se detém a minha voz. Afunde tuas torres! Afunde tua velha Alhambra Que já murchinha e quebrada no monte se queixa, Querendo desfolhar-se como flor de mármore. Invadem com a sombra maciça os teus ambientes! Esquecem a raça viril que te formou! E hoje que o homem profana o teu encanto sepulcral, Quero que entre tuas ruínas adormeça o meu canto Como um pássaro ferido por um caçador astral Tradução de Mª Clara M.

Federico García Lorca

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Pensador.com

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Outras frases de Federico García Lorca

O mais terrível dos sentimentos é o sentimento de ter a esperança perdida.
Se as minhas mãos pudessem desfolhar Eu pronuncio teu nome nas noites escuras,
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Se as minhas mãos pudessem desfolhar Eu pronuncio teu nome nas noites escuras, quando vêm os astros beber na lua e dormem nas ramagens das frondes ocultas. E eu me sinto oco de paixão e de música. Louco relógio que canta mortas horas antigas. Eu pronuncio teu nome, nesta noite escura, e teu nome me soa mais distante que nunca. Mais distante que todas as estrelas e mais dolente que a mansa chuva. Amar-te-ei como então alguma vez? Que culpa tem meu coração? Se a névoa se esfuma, que outra paixão me espera? Será tranqüila e pura? Se meus dedos pudessem desfolhar a lua!!

Gazel do Amor Desesperado A noite não quer vir para que tu não venhas,
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Gazel do Amor Desesperado A noite não quer vir para que tu não venhas, nem eu possa ir. Mas eu irei, inda que um sol de lacraus me coma a fronte. Mas tu virás com a língua queimada pela chuva de sal. O dia não quer vir para que tu não venhas, nem eu possa ir. Mas eu irei entregando aos sapos meu mordido cravo. Mas tu virás pelas turvas cloacas da escuridade. Nem a noite nem o dia querem vir para que por ti morra e tu morras por mim.