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Frase de Nerisírley Barreira do Nascimento

Não quero ser perfeita! Eu estava olhando a minha foto de bebê. Eu tinha uns seis meses. Olhos grandes e inocentes, uma incógnita. Eu hoje, mirando o futuro pela frente, que é passado. O começo dos grãos de areia, numa ampulheta a descerem. *** O que seria daquela menininha? Qual vida levaria aquele bebê? Porque todo nenê é como uma caixa de presente, em lindo papel dourado com laço enorme de seda, sem ser aberta. Uma surpresa para o desconhecido. *** E os anos passaram... aquela pessoazinha não descobriu-se. E por momentos na vida, viveu. *** Como ser aceita pelas pessoas? No fundo da alma, o que cada mulher quer, é ser amada. Ser respeitada e elogiada pelo que é. Mas como ser aceita? *** Talvez, na minha caminhada, eu me escondi. Também por desejo latente de ser aceita, moldei-me ao meio. Porém, foi de tanto moldar-me, que eu não me vi. E nunca me senti aceita. *** Mas como eu posso pedir dos outros, aquilo que eu, nem me dei o tempo? Na minha ansiosa ânsia, de ser amada... eu não me conheci e nem me amei. Eu corri para o vento sem parar para escutá-lo. Passei boa parte da vida acumulando títulos e coisas para que as pessoas gostassem de mim. Sem compreender que o que eu mais dou e o que eu mais deixo ir é que me faz feliz. *** Nenhum ser humano, verdadeiro, que queria ser feliz, desperdiça o seu tempo querendo ser amado pelos outros. Mas o que se ama, sente-se amado. Ele constrói sua vida no prumo dele, ao invés do prisma dos demais. Por mais que esses sejam preciosos para nós. Pode-se cortar as asas de uma águia, ela ainda assim será uma águia. Seus olhos sempre verão o sol. *** O tempo que eu mais me senti amada na minha vida, foi quando eu encontrei Deus. Porém, entrei num ativismo onde não doei parte do meu tempo para me amar. *** O carro mais caro. O último modelo. O celular que faz um monte de coisas, que eu uso 02% de sua capacidade. A melhor marca de computador. O programa de última geração. O corpo desenhado e como mulher, impecável. E sendo sincera, nós mulheres nos cobramos muito mais. Afinal, ainda hoje, no século XXI, as duas maiores funções da mulher são: a de ser bela e de ser útil. Um monte de viagens onde ao invés de descansar, eu usei para postar nas redes-sociais. Quanto tempo desperdiçado! *** Descobri-me a que detesta ser o centro das atenções. Que ama andar de tênis e calça jeans. Que não precisa ter vinte e cinco bolsas. Mas a que tem uma explosão de risos quando tropeça na rua. Muito que eu quis, quis para me aceitarem, para me amarem. Só que quando conquistei tudo isso, ficou pesado demais. Eu fiquei cansada. *** Muito que mais queremos, não faz sentido algum. E muito que mais desejamos, nem conhecemos. Quando temos o que achávamos que queríamos... procrastinamos o essencial. *** Eu fui num movimento retilíneo uniformemente acelerado para longe de mim, para chegar aqui e descobrir que a pessoa que precisa olhar para aquele bebê e amá-lo sou eu. Todos carregamos uma criança dentro de nós, louca para ser amada. Quem tem a oportunidade de conhecer a Deus, por mais teimoso que seja, um dia Ele irá te mostrar o seu “eu-bebê”. *** E sabe o que mais interessante eu concluí? Que as pessoas não vão me amar, nem pelo que eu tenho, nem pelo que eu sou e muito menos pelo que eu faço. Elas me amarão porque elas amam. Porque o Dom de amar é singular. Cada um, ama do seu jeito. Isso me livra do fardo de ser perfeita. Eu posso assim me amar! 30/03/2019.

Nerisírley Barreira do Nascimento

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Nerisírley Barreira do Nascimento

O doce amargo sabor da bela adormecida Era uma vez uma moça, no estilo dos sonhos norte-americanos. Loira, de longos cabelos que criavam cachos nas pontas, de bons modos, nariz fino e ingênua. Cantava de forma lírica e era tão submissa que quase não tinha imaginação ou senso de…
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O doce amargo sabor da bela adormecida Era uma vez uma moça, no estilo dos sonhos norte-americanos. Loira, de longos cabelos que criavam cachos nas pontas, de bons modos, nariz fino e ingênua. Cantava de forma lírica e era tão submissa que quase não tinha imaginação ou senso de humor. A princesa unigênita de um rico reino. Quão doce que era a linda moça! Inocente, um dia tocou uma agulha envenenada e caiu em sono profundo. Por séculos dormiu e tudo parou. Veio um príncipe e a beijou na esperança da moça acordar e se tornar a princesa dele, mas a moça não acordou. Veio outro príncipe e nada. Mais um. E outro. Vários outros. Todos saiam desencantados. O que havia de errado com eles? Nada! O nome da moça? O seu! O nome da agulha? Clonazepam. E o nome do príncipe, sabe? Também é o seu. Acontece que no mundo real, tudo muda. Aliás, a Física e a Química provam que tudo está em MOVIMENTO. Por isso, permanecer parado para fugir do amanhã é ilusão. E o sono profundo da doce Bela Adormecida causa uma dor profunda e num processo cíclico, ela em sua agonia, toca novamente na agulha. E ficamos como na música do Chico: “vendo pela janela a banda passar”. De tão bela, a princesa ficou feia. Até a beleza muda. Porque o senso estético transforma-se. Um dia ela acordou e viu as mudanças em torno de si. Desiludida, tornou a tocar na agulha. A moça vegeta legalmente aceita pela sociedade. Que condói-se, até taxar a esperança como fracassada. Esse é o doce amargo da Bela Adormecida. Uma medicação inocente que eu e você deveríamos usar pouco tempo e de vez em quando, com muita precaução recomendada por um médico, de preferência psiquiatra. Mas o Brasil tem tomado cada vez mais deste veneno. Seja você o autor da sua história e não a torne uma estória. Se um dia for a Bela, saiba que a dor faz parte do pacote vida. Torne-se seu príncipe salvador e deixe-se salvar!

O gringo no Café Central. Assim meu pai me contou, enquanto ria; a história de um gringo no Café Central. Era lá pelas bandas do final dos anos cinquenta, um gringo muito chique, metido à besta, resolveu vir à Goiânia para ganhar dinheiro. Mas como todo inglês que se preze, fez…
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O gringo no Café Central. Assim meu pai me contou, enquanto ria; a história de um gringo no Café Central. Era lá pelas bandas do final dos anos cinquenta, um gringo muito chique, metido à besta, resolveu vir à Goiânia para ganhar dinheiro. Mas como todo inglês que se preze, fez um curso de Português com um erudito de Portugal. E como todo homem prevenido, trouxe o professor com ele até o Rio de Janeiro. Três meses de viagem, o tal inglês hospedou-se no Grande Hotel. E hotel você já sabe... pagando bem... eles entendem até língua de cachorro! Lá eles ensinaram que um homem de “porte” como ele, deveria ir ao Café Central para fazer contatos. O homem se ajeitou. Colocou seu terno escuro, completinho. Até com colete e gravata com broche. Chapéu preto e sapato escuro. Tudo na risca de giz, fresquinho; para Londres. Saiu o cândido, rumo ao Café Central, a pé. Sentindo-se! Eram três da tarde, onde passava, os homens de chapéu branco olhavam para ele e o cumprimentavam. Logo, o gringo percebeu que talvez teria que ouvir com mais cuidado os cumprimentos porque os fonemas saiam todos iguais numa palavra só: _Bastard! Boatard! Quanto mais as pessoas o cumprimentavam, mais calor ele sentia. Era o meio de setembro. E... depois de encharcado de suor. O homem chega no aglomerado de pessoas, na esquina da Avenida Anhanguera com a Rua 7, que era o Café Central. Adentrando o gringo; meu pai, mocinho do Lyceu, que estava de fora do estabelecimento; olhou de soslaio aquele branco de dar dó. Preto riscado, empoeirado, com uma mistura de perfume e um “certo cheirinho”. Lá dentro, ninguém olhou para o homem. Todos absortos na sua própria conversa, em negociações. Um burburinho entre comerciantes de tudo. Conforme o recomendado pelo funcionário do Grande Hotel, o inglês foi de pronto ao balcão. Avistou um atendente, que abriu um sorriso quando olhou outro homem que chegou de terno de linho branco e botas de cano alto. Sem cerimônia, o intruso sentou-se no banco que, para o inglês era dele. Depois do susto, resignado diante de sua ansiedade, o protagonista acomodou-se ao lado do homem e pôs-se a observar. _ Bastardeee Tiaozim! Que vaicê ogi? _ Bastardiii! Demaisdaconta! Dissempri! _Intão-tá! O atendente virou-se todo feliz para trás e pegou um cestinha com pão-de-queijo e uma xícara de café. Voltou-se ao moço. Nisso, o inglês vendo a cena, já começava a sentir um certo frio na barriga. Pois não compreendia nada do que eles falavam. Fitava-os atentamente. Agora, nosso fidalgo, sentia-se um mero protagonista. O moço trouxe o café, colocou para o jovem ao lado e com um bule de leite numa mão, perguntou: _ Poçopô? _ Pó-pô! Ele colocou um pouco. O rapaz deu um gole e o atendente olhou para o inglês. Tudo pareceu em câmera lenta. Nisso, o homem já não suava de calor, mas frio de nervoso. Olhou atentamente para a boca do atendente tentado decifrar o que ele falava: _ Êita língua difícil! Ainda tem que mudar? O atendente meio que receoso que talvez o homem muito que arrumado estivesse a passar mal. Fitou-o esperando uma resposta, quando o nosso insigne ia responder...suspirou aliviado! O garçom voltou-se para o moço de branco. _ Tiaozim pó-pô mais? _ Mais é clar-que-sim! Colocou mais café na xícara e voltou com o “indigesto dialeto”: _ Quémais? _ Pó-pô! Colocou mais. _ Pó-pô-mais? _ Pó-pô-mais! _ Tá bãmassim? _Num tá-não! Pó-pô-mais! Nosso excelso ficou mais apreensivo. Compreendeu que o homem nativo, negou, afirmou para negar. E como se não bastasse, terminou afirmando novamente em imperativo! E o atendente nem achou ruim. Parece que agora ele sentia sua gravata muito apertada e sua boca extremamente seca. De repente, o atendente olha para ele e faz uma pergunta. Assustado o ingles respondeu: _I would like to a cup of tea and a glass of water, please. _ traduzindo: “Eu gostaria de tomar uma xícara de chá e um copo de água, por favor.” _ Of course! One moment please. _ traduzindo: Claro! Um momentim, por favor! E não era que o garçom falava o Inglês! O problema é que o inglês não sabia nada de Goianês. Êita sô! Tem base um troço desses? Nerisírley Barreira do Nascimento 2018.

Solidão de Maria **** ****
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Solidão de Maria **** **** Maria nasceu lá nas décadas de sessenta. Do século passado. **** Maria aprendeu que o sexo é proibido. ***** Maria também foi perseguida. Não por soldados, mas pela sempre pronta e atenta, nossa querida sociedade. **** Quem mandou Maria nascer Maria e não João? ****** _ Ela é que pague o preço de sua escolha! ****** Maria tem que ser calada, voluptuosa e burra. Porque Maria que é Maria, é mulher! ***** Mas Maria não foi nada disso. ***** E ainda teve a ousadia de nascer preta. Preta sim! Não sou de meias palavras. ***** Negro, não é nem raça. Preto é cor! **** Maria, além de negra, é preta. Não tem vida cor-de-rosa! **** Essa pobre coitada. Teve o desplante de perguntar. ***** Nasceu inteligente e não foi sábia de esconder sua mente. **** Maria percebeu o mundo. Não gostou! Mas as horas Maria não era para sexo? Não é para isso que o Brasil vende Marias e o mundo inteiro compra? ***** Oras! Maria era para ser enganada! Mulher e negra? É classe e situação permanente. É o regime de castas brasileiro. Que a gente age.... Mas psiu! É impróprio falar. **** Maria que é Maria, é pra usar. **** Mas Maria não aceitou. **** Maria... tola Maria! Questionou. **** E o tempo foi passando. Os anos se tornaram pesados. Maria ficou só. **** Sem homem. Sem sexo. Apenas com seu gênero, raça e inteligência. **** Maria que é Maria. Tem que se resignar. Porque Maria quando não é Maria... fica só, por questionar. **** E Maria ainda inventou de estudar. Teimosa, petulante e atrevida Maria! Como ousa? **** Vai chorar muito pra chegar lá. Mas num tenho pena! Nasceu assim, então tem que sofrer! Tenho nojo dessa cor. Detesto esse jeito sinuoso de mulher, que não se serve para os homens. E fico com raiva dela ser feliz! Ainda assim, Maria! **** Eu me alegro com cada sofrimento de toda Maria goiana. **** Êita! O que é que eu vejo ali? Mas não é que é Maria! Toda faceira. Solta, alegre a andar? Que absurdo! **** Sozinha e sem homem? Como pode? Toda aprumada, com documentos a carregar. **** Num é que Maria hoje, depois de muito sol, está estudada! **** Onde este mundo vai parar? Dar emprego para uma Maria se tem tanto José pra trabalhar?