Frase de Elcio Jose Martins
A BALA E A CANETA A bala e a caneta tiveram uma treta. Queriam saber: Qual seria a perfeita e qual seria a careta. - A caneta fez sua graça, mostrando sua raça, Como espingarda na caça, nenhum bicho faz pirraça. A CANETA: “Assino cartas e ofícios, faço prédios e edifícios. Registro nascimentos, diplomas e casamentos. Solto e prendo e nunca me arrependo. Receito, referendo, sei de cor o que estou fazendo. Já assinei casamentos e divórcios secretos, Centenas de medidas provisórias e decretos. Faço a paz e a guerra! É Deus no céu e eu aqui na terra... Não importa a minha cor, mas a azul é a predileta. Não importa a roupagem, o que importa é a mensagem. Já escrevi o amor, já relatei o terror. Estou na mão do padre e do professor, Mas, muitas vezes, na mão do facínora, do delator e do Ditador. Oh! Bala melosa, não venha com chorumelas, Nem precisa acender velas. É pudica, atrapalhada e vive sempre embrulhada, ” A BALA DOCE: A caneta, calma até agora, resolve falar: “Até agora fiquei calada, aguardei quieta, sem dizer nada. Sou bala doce, desejada e só ando na cor da moda. Meus sabores se multiplicam, derreto-me toda por quem me quer. Todos gostam de mim, sabor café, hortelã, cereja, mel, como quiser!... Entenda! Sou diferente! Minha única exigência, após saboreá-la, é escovar o dente. A BALA DO MAL: A bala que sai da sua ponta é certeira Sua bala pode até cumprir a Lei, até cumprir a ordem de alguém, Sua bala carrega em seus rastros, máculas irreparáveis. Cumpre o seu dever, mas, por vezes, é danosa. Prende o moço, aposenta o velho e tira o futuro da criança... Destrói a paz e a esperança, o seu crime não tem fiança... Sua bala é certeira, pode dissipar uma família inteira. A mão que dispara o gatilho do desamor, tem por trás, Uma alma e um coração sem amor.” Élcio José Martins
No pensador.ai desde