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Frase de eu

Do livro na estante eu fujo Da tv da sala eu fujo Seu rosto me encara, eu fujo Pra onde pra onde? Da página em branco eu fujo Do rádio a pilha eu fujo O chão me segura, eu fujo Pra onde pra onde? Eu fujo do acaso, do horizonte Da matilha de gentes na rua Da fala prudente, da fala crua Da gente decente, da gente intrusa Pra onde pra onde? Se acaso me visses Enquanto eu fujo Diria aflita ‘pra onde pra onde? Não tens mais amigos, cachorros, amantes, Sequer inimigo, parentes por perto. Eu fujo, Do ritmo constante dos passos Dos abraços felizes e apertados Do aperto do final do mês Da mês do ano do dia Mas quando, com quem e pra onde? Se acaso nos visse correndo No meio das gentes com pressa Dirias: pra onde pra onde? Pra onde vai aquele que não tem a si? Se acaso nos visse em casa Zizezagueando em um vão Dirias: pra onde pra onde Corre esse pensamento vazio? Não sei se pode a vós parecer Compreensível a questão: Nós somos a célula perdida O elétron fora de órbita, Nós somos A estrela não vista Um amontoado de células Sem corpo para habitar Mas move-se em nós Um palpitar inconstante Que não me permite calar o espírito. Se acaso me visse na cama Falando qualquer idioma - Pra onde pra onde Corre essa língua solta Pra Alemanha pra Roma Pro fundo do Rio Potengi? Eu fujo daqui e dali Dali e daqui também fujo Se volto é para fugir Pro poço mais fundo de mim. De fim em fim, eu não permaneço Esqueço de permanecer E se permaneço é um terço Um terço esqueci de fazer Um terço levaram os ventos potiguares Pro prédio mais alto da vida mais rasa. Eu fujo do assunto Eu fujo das presilhas de cabelo Eu fujo da liberdade se ela me encontra, tenho medo liberdade é uma coisa difícil de fugir pode ser viciante. Eu fujo do sentido, eu fujo Quanto mais a altas horas da noite, Não nos peça sentido, não procure Não procure quem perdido está Nas extravagancias de si. Somos nós os esquecidos, Não se gabe Fugimos das suas lembranças, fugimos E muitos nem percebem que estamos ali fugindo Do borbulhar dos sentimentos humanos. Eu e nós as vezes cansamos de fugir E sentamos no banco de uma viela e Esperamos passar um bonde de nome esquisito Pra onde pra onde pra onde? Pra última fuga de nós, a fuga cruel e definida. Será liberdade a fuga? Fugimos a tanto tanto tempo Que nem pude ver no espelho Quanto tempo fugiu de mim.

eu

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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existe alguma coisa pior que um dia de chuva?não...ou melhor,sim:mais de um dia de chuva!!!!!!