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Frase de Rafael Cadenas

Venho de um reino estranho, venho de uma ilha iluminada, venho dos olhos de uma mulher. Desço pelo dia pesadamente. Música perdida me acompanha. Uma pupila carregadora de frutas adentra no que vê. Minha fortaleza, minha última linha, minha fronteira com o vazio caiu hoje.

Rafael Cadenas

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com | Fonte: Una isla (1958). | Nota de autoria: Nota: Tradução de Thiago Ponce de Moraes.

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Outras frases de Rafael Cadenas

Nossa morada é impenetrável, e nós a habitamos.
O argumento De manhã lemos anestesiados
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O argumento De manhã lemos anestesiados as notícias da guerra (qualquer uma), uma manchete bem merece alguns combates; cada bando quer demonstrar que Deus está de seu lado com o argumento definitivo; nossos olhos percorrem as páginas – buscamos mais confirmações de nossa derrota e o jornal traz o que esperamos encontrar.

Derrota Eu que nunca tive um ofício que ante todo competidor me senti débil
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Derrota Eu que nunca tive um ofício que ante todo competidor me senti débil que perdi os melhores títulos para a vida que apenas chego a um lugar já quero ir embora (acreditando que mudar-me é uma solução) que tenho sido negado antecipadamente e ridicularizado pelos mais aptos que me encosto à parede para não cair totalmente que sou objeto de riso para mim mesmo que acreditei que meu pai era eterno que tenho sido humilhado por professores de literatura que um dia perguntei em que podia ajudar e a resposta foi uma gargalhada que não poderei nunca formar um lar, nem ser brilhante, nem triunfar na vida que tenho sido abandonado por muitas pessoas porque quase não falo que tenho vergonha por atos que não cometi que pouco tem me faltado para começar a correr pela rua que perdi um centro que nunca tive que me tornei um faz-me rir de muita gente por viver no limbo que não encontrarei nunca quem me suporte que fui preterido por causa de pessoas mais miseráveis que eu que seguirei toda a vida assim e que no ano entrante serei muitas vezes mais burlado em minha ridícula ambição que estou cansado de receber conselhos de outros mais letárgicos que eu (“Você é muito aquietado, desassossegue-se, desperte”) que nunca poderei viajar à Índia que tenho recebido favores sem dar nada em troca que ando pela cidade de um lado a outro como uma pena que me deixo levar pelos outros que não tenho personalidade nem quero tê-la que todo dia tapo minha rebelião que não fui às guerrilhas que não fiz nada pelo meu povo que não sou das FALN e me desespero por todas estas coisas e por outras cuja enumeração seria interminável que não posso sair de minha prisão que tenho sofrido baixas em todas as partes por inútil que na realidade não pude me casar nem ir a Paris nem ter um dia sereno que me nego a reconhecer os fatos que sempre babo sobre a minha história que sou imbecil e mais que imbecil de nascimento que perdi o fio do discurso que se executava em mim e ainda não pude encontrá-lo que não choro quando sinto desejos de fazê-lo que chego tarde a tudo que tenho sido arruinado por tantas marchas e contramarchas que anseio a imobilidade perfeita e a pressa impecável que não sou o que sou nem o que não sou que apesar de tudo tenho um orgulho satânico embora certas horas tenha sido humilde até me igualar às pedras que tenho vivido quinze anos no mesmo círculo que me acreditei predestinado para algo fora do comum e nada tenho alcançado que nunca usarei gravata que não encontro meu corpo que percebi por relâmpagos minha falsidade e não tenho podido derrubar-me, varrer tudo e criar de minha indolência, minha flutuação, meu extravio uma frescura nova, e obstinadamente me suicido ao alcance da mão me levantarei do solo mais ridículo para seguir burlando-me dos outros e de mim até o dia do juízo final.