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Frase de Nelson Rodrigues da Costa

⁠A Cruz e o Silêncio Na tarde que se deita sobre o mundo, o silêncio pesa mais que a pedra do sepulcro. Há um homem suspenso entre o céu e a terra, e o seu corpo é a ponte entre o abismo e o eterno. Sexta-feira, dia sem cor, em que o sangue se torna verbo e o madeiro, altar de um sacrifício antigo como o tempo que nos escapa dos dedos. Não é a dor que nos salva — é o amor que aceita a dor sem exigir resposta, sem exigir justiça. Cristo não grita contra os pregos, não amaldiçoa os que o erguem ao vento: olha-os como quem compreende que só o amor cego pode ver o mundo claro. E morre, não como quem perde, mas como quem entrega. Entrega-se ao Pai, entrega-se ao silêncio, entrega-se a nós. A cruz, então, já não é castigo, mas espelho: e nele vemos o que somos quando deixamos de fingir. Na Sexta-feira Santa, não se celebra a morte, mas a entrega. Não se chora o fim, mas o princípio escondido na última palavra: “Está consumado.” E o mundo, suspenso com Ele, aguarda o terceiro dia em que a pedra será rolada e o silêncio se fará luz.

Nelson Rodrigues da Costa

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Pensador.com

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Veem-me cinzento. Mas não é por falta de cor — é por não pintarem devagar.
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Veem-me cinzento. Mas não é por falta de cor — é por não pintarem devagar. Não sou o que mostro. Sou o que seguro para não cair. O que calei para não ferir. O que deixei por dizer para não gastar palavras em vão. Aprendi a vestir sombras com a dignidade de quem sabe que até a noite tem camadas. Ergui castelos no ar com mapas rasgados. Com linhas tortas, sim, mas desenhadas com silêncio aceso. Não procuro a luz para brilhar… prefiro arder por dentro a que me apontassem o fogo. E quando me tentam convencer falsamente que o mundo é preto ou branco, guardo as cores no bolso. Não para esconder — mas para aqueles que as querem mesmo ver. Sou feito de todas as coisas que não se veem à primeira. De silêncios que gritam. De memórias que ainda não aconteceram. De palavras que nasceram antes da boca. Não preciso de ser lido. Mas se me lerem, que não me distorçam. Procurem a cor, não as trevas. As que tremem. As que resistem. As que sou.

⁠Jamais existirá despedida entre autênticos irmãos. Os verdadeiros não são apenas presença material, mas também espiritual. Esculpidos no mais profundo sentimento da alma, talhados no núcleo do coração.
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⁠Jamais existirá despedida entre autênticos irmãos. Os verdadeiros não são apenas presença material, mas também espiritual. Esculpidos no mais profundo sentimento da alma, talhados no núcleo do coração. Não importa a distância ou circunstância, nunca será um até sempre, mas um até mais.

⁠ O Poeta Voador Dizem que a dor e o amor fazem o poeta.
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⁠ O Poeta Voador Dizem que a dor e o amor fazem o poeta. Dois lados de uma mesma moeda, que ora dá cara ora da coroa. Fica a bipolaridade ora feliz ora triste... consistentemente insatisfeito. Mas de quem é o problema? Do que ama ou do amado? No fundo do que sofre, porque sonha voar mais alto com asas frágeis e cansadas. Enquanto planeia no alto reza que a esperança não esmoreça, que a nuvem sustente o palácio onde reside o seu espírito lutador...